ENERGIAS RENOVÁVEIS

Executivos da FIEC apresentam potenciais do Hub de H2V no Ceará durante a COP27

Por Marcelo Cabral - Em 11/11/2022 às 6:48 PM

O coordenador e o consultor de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, (FIEC), Joaquim Rolim e Jurandir Picanço, estão no Egito, onde participam da 27ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas, a COP27, que está sendo realizada, em Sharm El-Sheikh. Eles apresentaram as bases e as potencialidades da indústria do Hidrogênio Verde (H2V), que está sendo montada no Ceará. No painel sobre transição energética, Joaquim Rolim, foi enfático ao garantir que o Ceará, o Nordeste e o Brasil estão prontos para contribuir para a descarbonização do planeta, deixando claro que o Hidrogênio Verde é produzido a partir das fontes de energias renováveis, em especial a eólica e a solar, que tem amplo potencial no Estado.

Joaquim Rolim disse que produtividade do Brasil é 50% superior à europeia    Foto: Divulgação

“O Brasil tem um potencial espetacular de energias renováveis. Até 2050, temos um excedente de 17 vezes o que precisaremos. Só de energia solar temos 28 mil gigawatts e somando todas as fontes de energia que temos no País, chegamos a 185 mil gigas. Sem falar na eólica onshore, em terra, com 880 gigawatts e 1.300 gigawatts no mar. Estudos apontam que a produtividade é na ordem de 60%, enquanto a média na Europa é de 40%”, contou. Nessa mesma análise, o executivo apresentou os números do Ceará. “O potencial de produção de energia solar de 643 GW, além de energia eólica com 64 GW onshore, 117 GW, offshore, e 137 GW de geração híbrida: eólica e solar no mesmo local”, disse. Joaquim Rolim atribuiu a localização geográfica do Ceará como ponto positivo, já que o Estado está próximo dos principais mercados consumidores a nível mundial.

Ao apresentar os slides, o coordenador da FIEC destacou as medidas que estão sendo tomadas para o desenvolvimento da indústria do H2V. “Temos o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, que tem parceria Roterdã, e ações de incentivos fiscais pelo Governo do Ceará. Contamos, ainda, com a FIEC da qual o nosso presidente, Ricardo Cavalcante, preside também da Associação Nordeste Forte, que congrega as Federações das Indústrias do Nordeste”, explicou. Nesse sentido, anunciou que as negociações com a Fortescue, gigante australiana da mineração, estão adiantadas e projetou uma meta: exportação de 1,3 milhão de toneladas de Hidrogênio Verde, pelo Ceará, até 2030.

No final, o executivo trouxe o resultado de três importantes estudos. Eles apontaram que o Estado deve receber mais de 2 GW em termos de conexão para produção do H2V, além de já ser possível a implantação energia eólica no mar e que o custo da energia solar deve chegar em 2025 a cerca de US$ 25,00 o MW/hora, um preço que tornará o Hidrogênio Verde competitivo com o Hidrogênio Azul.

Promissor

Jurandir Picanço afirmou que a produção de H2V tem um futuro promissor

Já Jurandir Picanço reforçou os pontos elencados, dizendo que o cenário de boas expectativas já começou a produzir efeitos com a redução do custo de energias renováveis como a eólica e a solar fotovoltaica para a produção de Hidrogênio Verde. E considera o futuro muito promissor. “O potencial do Brasil para a produção de Hidrogênio Verde já foi reconhecido por vários estudos internacionais. Um deles, da Bloomberg, aponta que o País, em 2030, pode ser o produtor com o menor custo. Para 2050, a expectativa é que o Hidrogênio Verde produzido no Brasil seja o mais competitivo”, disse.

Como consequência, relatou o interesse da iniciativa privada. “As empresas de grande porte vieram analisar e achavam que realmente era interessante. Já são 22 players internacionais e nacionais, que estão estudando essa oportunidade de produzir o Hidrogênio Verde”, destacou. Jurandir Picanço concluiu que o Brasil tem uma oportunidade excepcional diante deste cenário.

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