MERCADO DE US$ 22 TRI

Acordo UE-Mercosul marca forte avanço político, com efeitos econômicos graduais

Por Marcelo Cabral - Em 10/01/2026 às 1:27 PM

Com assinatura prevista para esta segunda-feira (12), na capital do Paraguai, o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul surge como um dos movimentos geopolíticos e econômicos mais ambiciosos da atualidade. Ainda que cercado por resistências políticas e pressões de setores agrícolas do Velho Continente, que devem retardar sua entrada em vigor.

Acordo deve ser assinado nesta segunda-feira na cidade de Assunção                                Foto: Wikipedia

Caso plenamente implementado, o tratado dará origem à maior área de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 718 milhões de consumidores e um produto interno bruto (PIB) combinado estimado em US$ 22 trilhões. Trata-se de um potencial transformador para ambas as regiões. No entanto, antes que os benefícios se materializem, será necessário um período de ajustes técnicos e regulatórios, especialmente para que produtos brasileiros e do Mercosul atendam às exigências de um dos ambientes normativos mais rigorosos do planeta.

Embora a França tenha elevado o tom do debate ao defender controles mais rígidos sobre a importação de diversos produtos, a maioria das lideranças políticas europeias avaliza o fechamento do acordo. Ainda assim, temas sensíveis como práticas ambientais, padrões sanitários e critérios de sustentabilidade deverão ser observados com atenção redobrada pelos países sul-americanos.

No Brasil, a repercussão entre os setores produtivos é, em grande medida, positiva. A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) diz que o acordo é um marco relevante para o setor, ao ampliar o acesso da produção nacional a um dos maiores mercados consumidores globais e reposicionar a indústria química brasileira em cadeias internacionais de maior valor agregado.

Outros segmentos estratégicos da economia nacional – como varejo, têxtil, confecção e agronegócio – também vislumbram novas oportunidades no horizonte. No entanto, representantes do setor agropecuário alertam para riscos políticos nas próximas etapas do processo europeu, que podem resultar na imposição de barreiras agrícolas, ambientais e sanitárias a vários produtos oriundos da América do Sul.

Assim, a assinatura do acordo em Assunção simboliza um marco político de grande relevância, mas não deverá produzir efeitos econômicos imediatos. No médio e longo prazos, porém, aqueles que conseguirem se adaptar às exigências e conformidades do tratado poderão acessar um conjunto de oportunidades comerciais de alto valor, reposicionando suas cadeias produtivas em um cenário global cada vez mais competitivo e regulado.

 

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