Omnia DC e ByteDance

Data Center Pecém inicia obras e marca maior investimento privado do Brasil

Por Marcelo Cabral - Em 16/01/2026 às 8:57 PM

Teve início a etapa de terraplanagem do terreno de 12 hectares que abrigará o Data Center Pecém, empreendimento fruto da parceria entre a Omnia DC e a ByteDance, controladora do TikTok. Com um volume total de investimentos estimado em R$ 200 bilhões – sendo R$ 50 bilhões apenas na primeira fase -, o projeto já é considerado o maior investimento privado anunciado no Brasil nos últimos anos. A conclusão das obras está prevista para setembro ou outubro do próximo ano, quando terá início a sua operação.

Obras do futuro data center ficam em um terreno de 12 hectares na ZPE II                   Fotos: Divulgação

Instalado no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, o empreendimento se beneficia de uma combinação rara de atributos estratégicos. O local dispõe de ampla oferta de energia renovável a custos competitivos, conexão direta com 18 cabos submarinos internacionais, assegurando baixa latência para múltiplos continentes, além de infraestrutura consolidada e dos incentivos da ZPE II (Zona de Processamento de Exportação), situada no município de Caucaia. Esse conjunto posiciona o Pecém como um dos pontos mais estratégicos do Hemisfério Sul para a implantação de infraestrutura tecnológica de alta capacidade.

Diante da relevância do projeto, o prefeito de Caucaia, Naumi Amorim, e o secretário municipal de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico (Setec), Machidovel Trigueiro Filho, visitaram o canteiro de obras ao lado do diretor de Construção da Omnia DC, Wellyson Costa. A comitiva percorreu a área onde será erguido o primeiro galpão destinado aos data halls, que, quando plenamente instalados, terão capacidade inicial de 200 megawatts (MW), com possibilidade de expansão para até 1 gigawatt (GW). Nesta fase inicial, o complexo contará ainda com uma subestação própria e uma linha de transmissão de 300 MW.

A operação do data center será integralmente abastecida por energia limpa fornecida pela Casa dos Ventos, proveniente de usinas eólicas em implantação no Ceará e no Piauí. Durante o período de obras, a energia será suprida pela rede convencional, enquanto o abastecimento de água virá de poços artesanais perfurados no próprio terreno. Segundo a Omnia DC, o projeto deverá gerar cerca de 15 mil empregos diretos e indiretos entre a fase de construção e o início das operações, com o compromisso de priorizar, sempre que possível, mão de obra e fornecedores locais.

Ecossistema de empresas em Caucaia

Naumi Amorim, Wellyson Costa e Machidovel Trigueiro no terreno

Machidovel Trigueiro destaca que mais de 15 empresas da região já devem ser diretamente beneficiadas, ainda que o número exato possa variar. “A minha expectativa é que este Data Center funcione como um ‘investimento âncora’. Tenho convicção que isso vai mudar brevemente o perfil econômico da região. Além do canteiro de obras (empregos e fornecedores), um importante impacto é criar um mercado permanente de serviços e empresas ao redor (energia, telecom e fibra, segurança, logística, manutenção eletromecânica, refrigeração, construção especializada, software, cibersegurança, certificações e serviços profissionais) e melhorar a conectividade da cidade e das escolas”, afirmou.

Com apoio integral da gestão municipal, o próprio Governo Federal já enquadra o pacote aprovado na ZPE como um conjunto de empreendimentos digitais e industriais de grande escala, prevendo múltiplos projetos de data centers no Pecém. “Quando uma infraestrutura desse porte se instala, ela não vem sozinha, ela cria um efeito gravitacional. Primeiro, temos o impacto imediato na cadeia de serviços de alta tecnologia e manutenção industrial. Segundo, e mais estratégico, é que isso valida a nossa região como um Hub digital global. Já temos os cabos de fibra óptica chegando na nossa costa; agora teremos onde processar e armazenar esses dados localmente com latência mínima”, salientou o secretário.

Segundo ele, o Data Center Pecém – que terá outros quatro projetos já aprovados na ZPE II — abre caminho para a instalação de startups, empresas de streaming, fintechs e indústrias 4.0 no entorno, especialmente dentro da lógica do novo Parque Tecnológico de Caucaia (Partec). “Estamos transformando a vocação de Caucaia: além de logística e industrial, agora somos também um polo de exportação de dados e serviços digitais. O município também se preparou para isso, antecipando-se, por meio da aprovação do novo Partec, que será gerido e administrado pela prefeitura, sob a coordenação da nossa Secretaria”, concluiu Machidovel Trigueiro.

A escolha da ZPE II para sediar o empreendimento também se explica por fatores fundiários, logísticos e tributários. A área oferece grandes lotes com acesso garantido a energia renovável e elevados padrões de segurança – requisitos essenciais para data centers Tier III ou IV. Além disso, o regime fiscal da Zona de Processamento de Exportação assegura competitividade internacional a um negócio que, por natureza, exporta serviços de processamento de dados para o mundo inteiro, reforçando a atratividade do Ceará para investimentos de alta tecnologia.

Máquinas trabalham em ritmo acelerado para preparar a base do amplo terreno do Data Center Pecém

A infraestrutura de resfriamento contará com sistemas avançados de climatização (chillers), ocupando uma área técnica expressiva, já que o controle térmico é um dos principais desafios de data centers de inteligência artificial e hiperescala em regiões de clima quente, como o Nordeste. O complexo é descrito como multi-edifícios, distribuído em cerca de 12 quadras, com dez salas de dados, cada uma com mais de 2.000 m², sem contar áreas elétricas, de logística e serviços.

Mais do que um empreendimento isolado, o Data Center Pecém tende a fortalecer setores estratégicos da economia, impulsionar a cadeia produtiva nacional e acelerar o desenvolvimento industrial do Nordeste, sobretudo nas áreas de energia limpa, tecnologia e serviços especializados. No cenário global, o projeto contribui para elevar o posicionamento competitivo do Brasil na economia digital e no mercado internacional de dados.

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