Pressão geopolítica

Lula vê ofensiva unilateral dos EUA e cobra respeito aos territórios nacionais em fala a movimentos

Por Julia Fernandes Fraga - Em 25/01/2026 às 1:00 AM

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O 14º Encontro Nacional do MST marcou os 42 anos do movimento, reunindo mais de 3 mil participantes de todo o país desde segunda-feira, 19, em Salvador. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na sexta-feira (23), durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do MST, em Salvador, que a política internacional atravessa um período crítico, marcado pelo avanço do unilateralismo e pelo enfraquecimento da Carta das Nações Unidas. Segundo ele, a lógica da “lei do mais forte” tem prevalecido, enquanto normas multilaterais estariam sendo ignoradas.

Ações ‘trumpistas’

No discurso, Lula criticou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar um Conselho de Paz — iniciativa que, na visão do brasileiro, equivaleria a fundar “uma nova ONU” sob liderança norte-americana. O norte-americano convidou Lula para integrar o órgão, que supervisionaria o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), indicando que ele “teria papel muito importante”. 

Lula também apontou a atuação dos Estados Unidos na Venezuela, classificando como inaceitável a operação que resultou no sequestro de Nicolás Maduro e de Cilia Flores. Ele questionou a falta de respeito à integridade territorial do país vizinho e lembrou que a América do Sul historicamente se mantém como região de paz, sem armas nucleares.

Ele rebateu ainda a postura de Trump de exaltar seu poderio militar, afirmando que pretende atuar pela via do diálogo, do convencimento e da defesa da democracia, rejeitando qualquer imposição externa.

Reação ‘lulista’

Ao citar Estados Unidos, Cuba, Rússia e China, o presidente Lula ressaltou que o Brasil não tem preferência por alianças e não aceitará voltar a ser tratado como colônia. O petista relatou estar em contato com líderes como Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia), Narendra Modi (Índia) e Claudia Sheinbaum (México) para articular um posicionamento conjunto que impeça o enfraquecimento do multilateralismo e evite que decisões internacionais sejam tomadas com base apenas na força militar ou na intolerância.

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