Pré Super Quarta
Queda do Ibovespa acompanha tensões nos EUA e agenda econômica carregada
Por Julia Fernandes Fraga - Em 26/01/2026 às 12:08 PM

Realização de lucros derruba o índice após sequência de recordes. Foto: Freepik
Após abrir em alta, o Ibovespa perdeu força e caía 0,38%, aos 179.543 pontos, nesta segunda-feira (26). O mercado aguarda a Super Quarta, com as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed) e do Copom, além do IPCA-15. No Brasil, a agenda incluiu a divulgação do Boletim Focus.
O índice aprofundou as perdas após uma série de recordes. Segundo Igor Monteiro, CEO da EqSeed, a semana tende a ser de realização de lucros: “Considero pouco provável uma euforia semelhante à da semana passada, a não ser que o quadro geopolítico [piore], o que atrairia mais dinheiro para o Brasil”.
Na sexta, o Ibovespa atingiu 180 mil pontos e registrou a maior alta semanal desde 2020. O dólar, que fechou em R$ 5,28, recua 0,20%, a R$ 5,27.
Agenda global e balanços dos EUA movimentam a semana
Os mercados monitoram a decisão de juros nos EUA e os balanços de Microsoft, Meta, Amazon, Apple e Tesla. No Brasil, os dados do setor externo vieram piores que o esperado, enquanto o IPCA-15 será divulgado amanhã.
A expectativa é de manutenção da Selic em 15,00%, embora parte do mercado avalie que o Copom pode indicar cortes já em março. O Focus aponta Selic em 12,25% ao final de 2026.
No exterior, o minério de ferro caiu 0,95% em Dalian, e o petróleo Brent recua cerca de 0,7%. As bolsas americanas operam em baixa; ouro e prata sobem diante da busca por proteção.
Tensões políticas nos EUA elevam a aversão ao risco
O risco de paralisação do governo dos EUA voltou a crescer, já que democratas podem bloquear o Orçamento sem mudanças nos dispositivos de segurança nacional, em meio aos conflitos em Minneapolis. A crise ganhou força após o assassinato do americano Alex Pretti por agentes do ICE.
Há expectativa pela escolha do novo presidente do Federal Reserve, enquanto crescem dúvidas sobre a autonomia da futura composição. Paralelamente, Donald Trump ameaçou impor tarifas de 100% ao Canadá caso o país avance em acordo comercial com a China. O premiê canadense, Mark Carney, descartou interesse em um tratado de livre comércio com Pequim.
No Oriente Médio, o Irã fez novos alertas aos EUA, enquanto operações de Israel em Gaza seguem no radar.
Boletim Focus altera projeções de inflação e Selic
O Focus reduziu a mediana do IPCA de 2026 de 4,02% para 4,00%, mantendo a projeção abaixo do teto da meta contínua de 4,50%. Para a Selic de 2026, a estimativa permanece em 12,25%.
O que mexe com o Ibovespa hoje
O mercado acompanha se o Copom indicará a possibilidade de iniciar cortes de juros em março. O IPCA-15, a ser divulgado nesta terça, deve influenciar as apostas.
No campo político, o governo Lula ainda não definiu prazo para responder à proposta de adesão ao Conselho da Paz, lançado por Donald Trump.
Agenda econômica da semana
A semana tem como destaque a Super Quarta, com decisões do Fed e do Copom, que não devem alterar os juros. No Brasil, saem também o IPCA-15, dados fiscais e números do mercado de trabalho. Hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para discutir a Copa do Mundo Feminina de 2027.
Na quinta (29), será divulgado o IGP-M de janeiro. Na sexta (30), saem o resultado primário, Pnad Contínua, Caged e a bandeira tarifária da Aneel. Também estão previstos, sem data definida, o relatório da dívida pública federal e o primário do governo central.
No exterior, o dirigente do BCE Joachim Nagel discursou hoje na Alemanha, enquanto os EUA divulgaram encomendas de bens duráveis. Amanhã, sai o índice de confiança do consumidor americano; na quarta, o Fed anuncia sua decisão, seguida da coletiva de Jerome Powell. A semana termina com o PIB preliminar da zona do euro e dados de PPI e PMI dos EUA.
Na temporada de balanços:
> Terça: Boeing, General Motors
> Quarta: Microsoft, Meta, Tesla
> Quinta: Deutsche Bank, Amazon, Apple, Visa
> Sexta: Chevron, ExxonMobil
Também é esperado o anúncio do substituto de Jerome Powell no comando do Fed, com Rick Rieder, diretor de Investimentos da BlackRock, visto como favorito.
Conteúdo publicado originalmente pelo Estadão.
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