Geopolítica & Tecnologia
Trump suspende restrições tecnológicas à China antes de encontro com Xi e reabre debate sobre segurança nacional
Por Suzete Nocrato - Em 13/02/2026 às 4:53 PM

Donald Trump determinou o fim das restrições à venda de equipamentos chineses para data centers nos EUA.. Foto: Fox News
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), suspendeu uma série de medidas de segurança tecnológica direcionadas à China na quinta-feira (12). A decisão antecede a reunião com o presidente chinês, Xi Jinping (Partido Comunista Chinês), prevista para abril, e sinaliza nova fase de distensão estratégica entre as duas potências.
Entre as iniciativas interrompidas estão a proibição das operações da China Telecom em território norte-americano e restrições à venda de equipamentos chineses para data centers nos EUA. As informações foram relatadas à Reuters por quatro fontes sob anonimato.
Também foram suspensas propostas que previam a proibição da venda doméstica de roteadores fabricados pela TP-Link, limitações aos negócios de internet da China Unicom e da China Mobile nos Estados Unidos, além de uma medida que impediria a comercialização de caminhões e ônibus elétricos chineses no mercado norte-americano.
Diplomacia econômica
As decisões integram um movimento mais amplo da administração Trump para evitar ações que possam antagonizar Pequim após o acordo comercial firmado em outubro. Na ocasião, a China comprometeu-se a adiar restrições à exportação de minerais de terras raras — insumos estratégicos para cadeias globais de tecnologia.
A Casa Branca busca reduzir tensões associadas à guerra comercial EUA-China, ao mesmo tempo em que prepara a visita de Trump a Pequim em abril. O presidente também convidou Xi para uma agenda oficial nos Estados Unidos ainda neste ano.
Críticos argumentam, contudo, que a flexibilização pode fragilizar a proteção de infraestruturas sensíveis, como redes de telecomunicações e centros de processamento de dados.
A Embaixada da China em Washington declarou oposição a “transformar questões comerciais e tecnológicas em armas políticas” e afirmou estar aberta à cooperação com os EUA, o que poderia fazer de 2026 “um ano em que os países avancem em direção ao respeito, à coexistência pacífica e à cooperação de benefício mútuo”.
A suspensão das restrições revela um movimento de cálculo diplomático em meio à reconfiguração da competição tecnológica global. Ao aliviar barreiras contra empresas chinesas, Trump busca preservar o canal político com Pequim, mas enfrenta questionamentos sobre a robustez da proteção de infraestruturas críticas norte-americanas.
O gesto ocorre em um momento em que a disputa por tecnologia estratégica, controle de cadeias produtivas e acesso a minerais essenciais redefine a geopolítica internacional.
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