Tensão internacional
Irã fecha parte do Estreito de Ormuz durante negociações nucleares com os EUA e eleva alerta no mercado global
Por Suzete Nocrato - Em 17/02/2026 às 1:39 PM

Partes do Estreito de Ormuz serão fechadas por algumas horas. Foto: Hamad I Mohammed/REUTERS
Em meio à retomada das negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã, Teerã adotou uma medida que repercute diretamente na geopolítica do petróleo. Poucas horas após o início das conversas diplomáticas, a agência semioficial Fars informou que partes do Estreito de Ormuz seriam fechadas por algumas horas.
Segundo a agência, o bloqueio temporário ocorre por “precauções de segurança”. A Guarda Revolucionária iraniana estaria conduzindo exercícios militares — não detalhados — na rota considerada a mais estratégica do mundo para exportação de petróleo.
O movimento reacende um histórico de ameaças por parte de Teerã. O governo iraniano já declarou, em ocasiões anteriores, que poderia fechar o estreito ao transporte comercial caso sofresse ataques. Um fechamento integral teria impacto imediato: bloquearia cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e pressionaria fortemente os preços do petróleo bruto nos mercados internacionais.
Diplomacia em Genebra
As negociações estão ocorrendo em Genebra, com mediação de Omã. Participam das conversas os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, além do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.
O ex-presidente Donald Trump afirmou estar envolvido “indiretamente” nas negociações e declarou acreditar que Teerã deseja um entendimento. “Não acho que eles queiram as consequências de não fazer um acordo”, disse a repórteres a bordo do Air Force One ontem.
Apesar do ambiente diplomático, o discurso interno no Irã elevou o tom. Assim que as negociações começaram, o líder supremo Ali Khamenei fez ataques públicos aos Estados Unidos: “O presidente dos EUA diz que seu exército é o mais forte do mundo, mas o exército mais forte do mundo às vezes pode levar um tapa tão forte que não consegue se levantar”, afirmou em uma série de publicações nas redes sociais.
Condições, sanções e histórico recente
Uma autoridade iraniana de alto escalão declarou que o sucesso das negociações dependerá de os EUA não apresentarem exigências consideradas irrealistas. Teerã também avalia a disposição real de Washington em suspender as sanções econômicas que impactam a economia iraniana.
Episódios recentes adicionam complexidade ao diálogo. Teerã e Washington haviam programado a sexta rodada de negociações para junho do ano passado. No entanto, na ocasião, Israel, aliado dos EUA, lançou uma campanha de bombardeios contra o Irã, à qual se juntaram bombardeiros B-2 americanos que atacaram alvos nucleares.
Desde então, o governo iraniano declarou ter suspendido atividades de enriquecimento de urânio. O país é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, que assegura o direito ao desenvolvimento de energia nuclear para fins civis em troca da renúncia às armas atômicas e da cooperação com a agência nuclear da ONU, a Agência Internacional de Energia Atômica.
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