PESQUISA DA FEBRABAN

Bancos projetam início do corte da Selic em março e crédito resiliente em 2026

Por Marcelo Cabral - Em 18/02/2026 às 2:30 PM

O sistema financeiro brasileiro já trabalha com um novo cenário para a política monetária. Após a reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), a maioria dos bancos aposta no início do ciclo de cortes da taxa Selic em março, com redução de 0,50 ponto percentual e manutenção desse ritmo nas reuniões subsequentes.

Pesquisa da Febraban revela expectativa de corte de juros e fôlego do crédito               Foto: Divulgação

A sinalização é captada pela Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que ouviu 21 instituições financeiras entre os dias 3 e 9 deste mês. Para 76,2% dos participantes foi acertada a decisão do Copom de manter a taxa inalterada em janeiro, já preparando o terreno para a flexibilização monetária.

Mais do que isso: pouco mais de 60% dos entrevistados acreditam que a Selic encerrará dezembro abaixo de 12,25% ao ano – patamar inferior ao indicado atualmente pelo BC no Boletim Focus. O movimento sugere uma leitura relativamente mais positiva do setor bancário sobre a trajetória inflacionária e as condições macroeconômicas.

Crédito mantém o fôlego

Mesmo sob juros elevados, o crédito segue resiliente. A pesquisa, realizada a cada 45 dias após a divulgação da ata do Copom, aponta revisão para cima na expectativa de crescimento da carteira total em 2026, que passou de 8,2% para 8,4%. O dado confirma a tendência de desaceleração gradual, após a expansão de 10,2% registrada em 2025 – ainda em ritmo de dois dígitos.

O avanço esperado é puxado principalmente pelo crédito direcionado, cuja projeção subiu de 9,4% para 9,6%. O destaque está na carteira para empresas, que saltou de 9,7% para 11,1%, impulsionada por programas governamentais voltados às micro, pequenas e médias empresas.

Já no segmento das famílias, a expectativa de crescimento do crédito direcionado recuou levemente, de 9,1% para 9,0%, refletindo o dinamismo ainda moderado do crédito rural. Na carteira livre, a projeção permaneceu estável em 7,6%. Em contrapartida, houve ajuste negativo nas projeções para pessoas jurídicas, de 6,2% para 5,6%.

“Mesmo com uma taxa Selic bastante elevada, o crédito deve manter um bom ritmo de expansão neste ano, ainda que com leve moderação”, avalia Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban. Segundo ele, a revisão altista concentra-se especialmente na carteira livre destinada às famílias e nos recursos direcionados às empresas.

PIB e cenário fiscal

O levantamento também identificou aumento na dispersão das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. A proporção de instituições que projetam crescimento de 1,8% – atual consenso de mercado – caiu de 55% para 38,1%.

Em contrapartida, cresceu tanto o grupo que projeta expansão inferior (33,3%) quanto o que aposta em desempenho superior (28,6%). O dado mais relevante está neste último grupo: o percentual daqueles que esperam crescimento acima do consenso praticamente dobrou, saindo de 15% na pesquisa anterior para 28,6% na atual.

No campo fiscal, o cenário permanece desafiador. Para 71,4% dos participantes, o governo deverá adotar medidas adicionais para cumprir a meta fiscal deste ano. Entre eles, 47,6% acreditam que o ajuste deverá ocorrer pelo lado das despesas, via contingenciamento ou exclusão de gastos da meta.

Olhando para 2027

Pela primeira vez, a pesquisa captou as projeções para 2027. A expectativa é de crescimento de 7,7% da carteira total – ligeiramente inferior ao projetado para este ano, de 8,4%. A estimativa reflete expansão de 7,4% na carteira livre e de 8,3% na direcionada.

O conjunto dos dados desenha um cenário de transição: juros ainda elevados, mas com perspectiva de queda; crédito em desaceleração controlada, porém sólido, e um ambiente macroeconômico que começa a ensaiar maior previsibilidade. A íntegra da pesquisa da Febraban pode ser acessada por meio do link: https://cmsarquivos.febraban.org.br/Arquivos/documentos/PDF/Pesquisa%20FEBRABAN%20de%20Economia%20Banc%C3%A1ria%20e%20Expectativas%20-%20Fevereiro%20de%202026_imprensa.pdf.

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