Mundo em Conflito
Conselho da Paz: Santa Sé declina convite de Trump e reforça papel das Nações Unidas
Por Julia Fernandes Fraga - Em 18/02/2026 às 4:38 PM

Papa Leão XIV foi convidado em janeiro. Foto: Reprodução/Instagram
A Santa Sé anunciou que não participará do “Conselho da Paz”, iniciativa promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A decisão foi confirmada na terça-feira (17) pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin.
O membro do alto clero explicou que “a Santa Sé não participará do Conselho da Paz devido à sua natureza particular, que evidentemente não é a dos outros Estados” e acrescentou que “em nível internacional, deve ser, acima de tudo, a ONU [Organização das Nações Unidas] quem gerencia essas situações de crise. Esse é um dos pontos em que temos insistido”.
A negativa papal ocorre às vésperas da primeira reunião marcada para esta quinta-feira (19), em Washington. Leão XIV, primeiro pontífice norte-americano e crítico de algumas políticas de Trump, havia sido convidado a integrar o conselho em janeiro.
Conselho
O organismo, presidido por Donald Trump, foi concebido para supervisionar a trégua e a reconstrução de Gaza e, posteriormente, ampliado para atuar em conflitos globais — movimento que gerou receio de esvaziamento da ONU.
Desde o lançamento no mês de janeiro, em Davos (Suíça), ao menos 19 países assinaram a carta de fundação. Membros permanentes devem contribuir com US$ 1 bilhão para ingressar no órgão — modelo que críticos comparam a uma versão “paga” do Conselho de Segurança da ONU. Itália e União Europeia indicaram participação como observadores.
Efeitos já vistos

Cardeal Pietro Parolin. Foto: Victoria Holzbach/CNBB
Especialistas em direitos humanos questionam a liderança direta de Trump e a ausência de representantes palestinos na composição.
A trégua em Gaza, iniciada em outubro, foi repetidamente violada, em meio a um conflito que já deixou mais de 72 mil mortos no território, segundo dados citados por organismos internacionais.
Israel sustenta agir em legítima defesa após os ataques liderados pelo Hamas no fim de 2023, quando 1.200 pessoas morreram e mais de 250 foram feitas reféns.
Sobre a guerra na Ucrânia, o cardeal Pietro Parolin declarou que “em ambos os lados, não nos parece que haja avanços reais em relação à paz (…) me parece que não há muita esperança e nem muitas expectativas”.
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