Diplomacia internacional

Lula articula Sul Global, fortalece Brics e propõe nova lógica econômica mundial

Por Suzete Nocrato - Em 22/02/2026 às 10:33 AM

Lula

Presidente Lula encerrou viagem oficial à Índia na madrugada deste domingo e seguiu para a Coreia do Sul. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Às vésperas de encerrar visita oficial à Índia e seguir para a Coreia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, na madrugada deste domingo (22), a união entre países em desenvolvimento — especialmente os do chamado Sul Global — como eixo para “mudar a lógica econômica” internacional.

A declaração foi feita em coletiva de imprensa, momentos antes do embarque. Ao abordar as dificuldades históricas enfrentadas por nações menos desenvolvidas em negociações com superpotências, Lula reforçou a necessidade de articulação conjunta. “Sempre defendemos que países pequenos se unam para negociar com os maiores. Países como Índia, Brasil, Austrália e outros do Sul Global precisam estar juntos, porque na negociação direta com superpotências a tendência é perder”, disse Lula.

Segundo o presidente, “os países em desenvolvimento podem mudar a lógica econômica do mundo. Basta querer. Está na hora de mudar. Falo isso com base em 500 anos de experiência colonial, porque continuamos colonizados do ponto de vista tecnológico e econômico. Precisamos construir parcerias com quem tem similaridades conosco, para somar nosso potencial e nos tornar mais fortes”, acrescentou.

Brics ganha protagonismo

Na avaliação de Lula, o BRICS vem contribuindo para viabilizar essa nova arquitetura econômica global. Para ele, o bloco “está ganhando uma cara”. “É um grupo que antes era marginalizado. Criamos um banco. Tudo ainda é novo. Sei que os EUA têm alguma inquietação, que na verdade é com a China. Mas não queremos outra Guerra Fria. Queremos fortalecer nosso grupo, que pode se integrar ao G20 e, quem sabe, formar algo equivalente a um G30”, argumentou.

O presidente voltou a afastar a hipótese de criação de uma moeda própria do bloco. “Nunca defendemos criar uma moeda dos BRICS. O que defendemos é fazer comércio com nossas próprias moedas, para reduzir dependências e custos. Os EUA não vão gostar no primeiro momento, mas tudo bem. Vamos debater”, disse.

Multilateralismo e ONU

Lula reiterou a defesa do multilateralismo e do fortalecimento da Organização das Nações Unidas, que, segundo ele, precisa recuperar legitimidade e eficácia no cenário internacional.

“Esses dias eu liguei para quase todos os presidentes, propondo que a gente tem que dar uma resposta ao que aconteceu na Venezuela, ao que aconteceu em Gaza, ao que aconteceu na Ucrânia. Você não pode permitir que, de forma unilateral, nenhum país — por maior que seja — possa interferir na vida de outros países. Precisamos da ONU para resolver esse tipo de problema. E, por isso, ela precisa ter representatividade”, reiterou.

Agenda com a Índia 

Na Índia, Lula destacou os encontros com o primeiro-ministro Narendra Modi. “Tratamos muito da nossa relação comercial e da relação entre Brasil e Índia. Não entramos em detalhes sobre geopolítica internacional. Eu sei o que a Índia pensa sobre determinados problemas, e eles sabem o que o Brasil pensa. Nós discutimos o que nos une. Em especial sobre fortalecer nossas economias para nos tornarmos países altamente desenvolvidos”, disse, classificando a conversa como extraordinária e exitosa.

O comércio bilateral soma atualmente US$ 15,5 bilhões, e a meta estabelecida é dobrar esse valor para US$ 30 bilhões até 2030. “Todos os empresários indianos que investem no Brasil elogiam o país e dizem que vão aumentar seus investimentos. Eles são muito otimistas com relação ao Brasil”, afirmou.

Mais notícias

Ver tudo de IN Poder