
Estudos mostram que Júpiter possui um núcleo rochoso. Fotos: Kevin M. Gill/NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS
A teoria predominante sustenta que os planetas surgem a partir de discos de gás e poeira que orbitam estrelas jovens. Com o tempo, partículas microscópicas se acumulam, formando estruturas cada vez maiores até se tornarem planetas. “O que acreditamos que acontece é que os planetas crescem acumulando essa poeira”, disse Thomas Wilson, professor assistente de astronomia na Universidade de Warwick, no Reino Unido, e principal autor do estudo.
Segundo Wilson, eles começam a se juntar para formar pequenos grãos, que então colidem uns com os outros para formar corpos maiores chamados planetesimais e, eventualmente, esses corpos colidem para formar planetas.
Esse processo explica a natureza rochosa de planetas como a Terra e também os núcleos sólidos de gigantes gasosos como Júpiter.
Linha de gelo
A composição final de um planeta depende, em grande parte, da distância em relação à sua estrela. “Nas regiões externas, onde é muito mais frio, além do que é chamado de linha de gelo, gases e gelos podem aparecer porque é frio o suficiente para que eles existam”, disse Wilson.
De acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA), nessas regiões mais frias é possível que atmosferas densas se acumulem, formando gigantes gasosos. Já nas áreas mais próximas da estrela, onde a temperatura é elevada e a poeira sólida predomina, surgem planetas rochosos, como Mercúrio, Vênus, Terra e Marte no Sistema Solar.
Com base nesse padrão, os cientistas esperam encontrar uma ordem relativamente previsível: mundos rochosos mais próximos da estrela e planetas gasosos nas regiões externas.
Sistema desafia a regra

Cientistas acreditam que os planetas se formam a partir de discos de gás e poeira
Os três planetas mais internos seguem o modelo clássico: o mais próximo é rochoso e os dois seguintes são gasosos. No entanto, observações realizadas pelo satélite Cheops, da ESA, revelaram que o quarto planeta — o mais distante da estrela — também é rochoso.
A descoberta surpreendeu os pesquisadores. “Esperávamos que fosse gasoso… por que é rochoso? Essa era a grande questão”, afirmou Wilson.
A aparente exceção pode indicar que os planetas não necessariamente se formam todos ao mesmo tempo, como supõe o modelo tradicional. Se confirmado em outros sistemas, o achado pode levar a uma revisão da compreensão sobre a cronologia da formação de planetas, inclusive no próprio Sistema Solar.
A descoberta reforça uma percepção crescente na astronomia: o Universo pode ser mais diverso do que os padrões observados ao redor do Sol sugerem.
Ao desafiar uma teoria consolidada, o novo sistema planetário abre caminho para novas investigações e amplia o horizonte sobre como os mundos se organizam no cosmos.