
Data center de IA da Amazon Web Services em New Carlisle, Indiana, EUA. Foto: Reuters
América Latina reúne vantagens estruturais que a posicionam como hub natural da próxima onda de expansão da infraestrutura digital, especialmente na construção de data centers — e o Brasil pode assumir papel central nesse movimento, segundo estudo da área de banco de investimentos da Galapagos Capital.
“Não é exagero dizer que o país pode ser para a economia digital o que foi para o agronegócio – um celeiro global, mas de processamento de dados”, afirma Carlos Parizotto, sócio e responsável pela área de banco de investimentos do grupo, em comunicado sobre o trabalho.
De acordo com o levantamento, a demanda global por capacidade de data centers deve saltar de 82 gigawatts em 2025 para 219 gigawatts até 2030. No mesmo horizonte, o mercado de serviços em nuvem pode superar US$ 1,6 trilhão, enquanto o segmento de inteligência artificial deve atingir quase US$ 4,8 trilhões até 2034.
O volume de capital necessário para suprir a lacuna entre oferta e demanda poderá chegar a US$ 7,9 trilhões entre 2025 e 2030, em um cenário de expansão acelerada. Nesse contexto, grandes hyperscalers como Alphabet, Meta, Microsoft e Amazon vêm ampliando investimentos em escala inédita.
Globalmente, as taxas de vacância em sites de colocation atingem mínimas históricas, enquanto os preços de locação subiram cerca de 50% desde 2020. O consumo de energia pelos centros de processamento, que hoje representa aproximadamente 3,5% da geração mundial, deverá superar 9% até 2030 — tornando a disponibilidade energética o principal gargalo da expansão.
Energia limpa
É nesse cenário de escassez que a América Latina ganha relevância. O estudo destaca como diferenciais a oferta de energia limpa, mais barata e com excedente, além de um mercado ainda subpenetrado e com forte potencial de crescimento.
Na região, o Brasil surge como “centro de gravidade”, respondendo por cerca de 54% da demanda latino-americana. “O Brasil reúne uma combinação rara de atributos para data centers: energia predominantemente renovável, preços de eletricidade abaixo da média global, grid interligado nacionalmente, conectividade por cabos submarinos e, agora, um marco regulatório competitivo”, afirma Parizotto.
Atualmente, o país abriga 189 data centers — 70% concentrados no Sudeste, com São Paulo como hub principal. O mercado nacional deve crescer de US$ 5,3 bilhões em 2024 para US$ 7,1 bilhões até 2029.
O estudo também destaca avanços no arcabouço regulatório, como a Política Nacional de Data Centers (PNDC), que, por meio do programa ReData, prevê a eliminação de impostos federais sobre equipamentos do setor.
Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, o ReData pode atrair R$ 2 trilhões em investimentos privados ao longo de dez anos.
O estudo também aponta a extensão dos benefícios das Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) para serviços digitais, incluindo infraestrutura voltada à inteligência artificial e à computação em nuvem.


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