Rota do Oscar

Adolpho Veloso leva fotografia brasileira à disputa pelo Oscar e descreve campanha como “trabalho de campo”

Por Suzete Nocrato - Em 02/03/2026 às 3:45 PM

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O brasileiro Adolpho Veloso concorre ao Oscar de melhor fotografia pelo filme Sonhos de Trem. Foto: Daniel Schaefer/Divulgação

Participar da corrida pelo Oscar sem ser uma figura pública amplamente reconhecida pode parecer paradoxal — quase como comparecer à própria festa de aniversário sem conhecer os convidados. É assim que o diretor de fotografia Adolpho Veloso define a experiência de integrar a disputa pela estatueta dourada com o filme Sonhos de Trem, produção da Netflix dirigida por Clint Bentley.

Paulistano de 36 anos, atualmente radicado em Lisboa, Veloso percorre há meses uma agenda intensa semelhante à de nomes como Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho, respectivamente protagonista e diretor de O Agente Secreto, também envolvidos em campanhas internacionais em busca de reconhecimento da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Campanha global

Embora não tenha a visibilidade de Moura, Veloso relata uma rotina igualmente exigente. O processo envolve entrevistas frequentes — muitas vezes em diferentes idiomas — realizadas em diversos países, como ocorreu durante sua recente passagem por Londres, onde conversou com a BBC News Brasil.

O pleito teve início no dia 26 de fevereiro e segue até a próxima semana, o que mantém ativa a estratégia de divulgação. Veloso compara a experiência ao esforço de uma campanha eleitoral. “A única coisa que eu não faço e político faz é comer pastel e abraçar criança, porque o resto estou fazendo tudo. É um trabalho de campo, muito mais difícil do que filmar. Fazer um filme é muito difícil, mas é minha zona de conforto”.

Consolidação internacional

Com trajetória consolidada no audiovisual, Veloso acumula décadas de atuação em publicidade, videoclipes e curtas-metragens no Brasil. Sonhos de Trem marca um momento-chave em sua expansão internacional, iniciada há cerca de cinco anos.

O longa acompanha a trajetória de um lenhador e operário no oeste dos Estados Unidos, entre o fim do século 19 e meados do século 20, enquanto participa da construção do país.

A crítica especializada destaca justamente a fotografia cinematográfica como um dos principais elementos da obra, ao integrar de maneira orgânica os conflitos do protagonista ao próprio cenário — tratado como personagem em transformação constante.

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