Bastidores políticos
Operação da PF expõe mensagens entre Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira em meio a investigação sobre o Banco Master
Por Suzete Nocrato - Em 05/03/2026 às 1:47 AM

Senador Ciro Nogueira foi qualificado por Vorcaro com um “grande amigo de vida”. Foto: Agência Brasil
Mensagens obtidas em investigações da Polícia Federal reforçam a relação de proximidade entre o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, e o senador Ciro Nogueira. Em conversas privadas registradas em 2024, Vorcaro chegou a qualificar o parlamentar como um “grande amigo de vida”, ao comentar a tramitação de uma proposta legislativa que poderia beneficiar o sistema de garantia de depósitos.
A troca de mensagens menciona uma emenda apresentada por Ciro Nogueira durante a tramitação da PEC da autonomia orçamentária do Banco Central. A proposta sugeria elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. O texto também defendia mudanças estruturais na gestão do fundo, propondo que ele deixasse de ser administrado por instituições financeiras privadas e passasse à alçada do Banco Central. A sugestão, no entanto, não foi incorporada à versão final aprovada pelo Congresso Nacional.
A proposta encontrou resistência no setor bancário, que avaliou que a alteração poderia elevar custos para as instituições e modificar o funcionamento do sistema de proteção aos depósitos bancários. Ao comentar a repercussão das mensagens, Ciro Nogueira afirmou que “mantém diálogos por mensagens com centenas de pessoas, o que não o torna próximo apenas por, eventualmente, interagir com elas”.
Prisão de Vorcaro
As conversas vieram a público nesta quarta-feira (4), no mesmo dia em que Daniel Vorcaro voltou à prisão após uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. A decisão que autorizou a operação foi assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e menciona indícios da formação de uma organização criminosa, além de danos bilionários e possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
Além de Vorcaro, também foram presos Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, e o empresário Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela investigação como responsável por planejar ações contra adversários do empresário. Segundo a polícia, Mourão executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.
A Polícia Federal informou que abrirá um procedimento para apurar as circunstâncias de uma tentativa de suicídio atribuída a Luiz Phillipi, ocorrida após sua prisão na Superintendência da PF em Belo Horizonte. A corporação afirmou que “Sicário” tentou tirar a própria vida na cela onde estava detido. A Secretaria de Saúde de Minas Gerais informou que ele foi levado ao Hospital João 23, onde permanece no CTI, com morte cerebral constatada.
As investigações também identificaram mensagens no celular de Vorcaro que indicariam a existência de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, no qual teriam sido discutidas ações de perseguição, intimidação e até violência contra adversários, incluindo jornalistas. Um dos alvos citados nas conversas seria o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo e da CBN. Segundo os registros, o banqueiro teria autorizado simular um assalto para “quebrar os dentes” do jornalista.
A defesa de Daniel Vorcaro declarou que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades” e negou qualquer tentativa de obstrução das investigações. Segundo os advogados, as mensagens atribuídas ao banqueiro teriam sido “tiradas de contexto” e ele jamais teria tido a intenção de intimidar jornalistas. Já Fabiano Zettel afirmou que permanece à disposição da Justiça.
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