Crise energética

Choque no petróleo do Oriente Médio pressiona Ásia e leva governos a impor restrições de consumo

Por Suzete Nocrato - Em 06/03/2026 às 10:01 AM

Petro

Medidas para reduzir o consumo já estão sendo aplicadas. Foto: Reuters/Stringe

A escalada das tensões no Oriente Médio começa a provocar reflexos diretos na segurança energética global, especialmente em países asiáticos altamente dependentes do petróleo que transita pelo estratégico Estreito de Ormuz. Diante do risco de interrupções no abastecimento, governos da Índia, Paquistão, Indonésia, Bangladesh e Filipinas passaram a adotar medidas para reduzir o consumo do chamado “ouro negro”.

Nas Filipinas, onde quase todo o petróleo é importado, o governo pediu à população que diminua o uso de ar-condicionado e reduza viagens não essenciais. Entre as alternativas em análise está até a possibilidade de implementar uma semana de trabalho de quatro dias, estratégia voltada a reduzir o consumo de energia.

Outros países da região seguem caminhos distintos para enfrentar o impacto do choque energético. A Índia busca ampliar o acesso ao petróleo russo, enquanto o Japão aposta em medidas de proteção ao consumidor diante da alta dos preços. Já a Tailândia procura diversificar fornecedores e ampliar negociações em novos mercados de óleo e gás natural.

Em meio à pressão sobre o mercado energético, os Estados Unidos autorizaram temporariamente o envio de petróleo russo sob sanções à Índia. Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, a permissão vale até 3 de abril de 2026 e busca evitar instabilidade no abastecimento global. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que a medida permitirá “que o petróleo continue a abastecer o mercado mundial”.

Desde 2022, Estados Unidos, União Europeia e países do G7 aplicam sanções ao setor petrolífero russo para reduzir a capacidade de Moscou de financiar a guerra na Ucrânia. Mesmo assim, a Índia manteve e ampliou a compra de petróleo russo vendido abaixo do valor de mercado, tornando-se um dos principais destinos desse produto, ao lado da China.

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