"Escudo das Américas"

Trump recebe líderes da América Latina em reunião estratégica nos EUA e deixa Lula fora do encontro

Por Jussara Beserra - Em 07/03/2026 às 4:20 PM

Presidente brasileiro ficou fora da reunião que reúne aliados de Trump na América Latina

Presidente brasileiro ficou fora da reunião que reúne aliados de Trump na América Latina

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe neste sábado (7) um grupo de líderes latino-americanos em seu resort em Doral, na Flórida, para um encontro voltado à cooperação regional em temas de segurança e combate ao narcotráfico. A reunião foi batizada de “Escudo das Américas” e pretende fortalecer parcerias entre governos considerados aliados de Washington.

Participam da iniciativa representantes de 12 países da América Latina e do Caribe: Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Honduras, Guiana, Panamá, Paraguai e Trinidade e Tobago. Segundo a Casa Branca, o objetivo é ampliar a articulação regional para enfrentar organizações criminosas transnacionais e reforçar ações conjuntas contra o tráfico de drogas.

A coordenação do encontro ficará a cargo de Kristi Noem, ex-secretária do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, cuja saída do cargo foi anunciada pouco antes do evento. Em comunicado divulgado às vésperas da reunião, ela destacou a importância da cooperação entre os países do hemisfério.

“Espero trabalhar em colaboração próxima com eles para desmantelar cartéis que têm inundado nosso país com drogas e matado nossos filhos e netos”, afirmou. “O hemisfério ocidental é absolutamente crucial para a segurança dos EUA. Nesse novo cargo, poderei aprofundar as parcerias e a experiência em segurança nacional que construí durante meu período como secretária de Segurança Interna.”

Entre os convidados, predominam governos considerados próximos das pautas defendidas pelo republicano. O encontro não inclui líderes de esquerda da região, como o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem o presidente colombiano Gustavo Petro, o que chamou atenção por se tratar de dois países relevantes nas rotas do tráfico internacional de drogas.

Integrantes da Casa Branca afirmaram que o critério para participação priorizou países com maior alinhamento às políticas americanas de combate ao narcotráfico e cooperação em segurança. “Esperamos que essa coalizão se expanda no futuro”, declarou um funcionário do governo americano.

Diplomatas brasileiros avaliam que, além da pauta de segurança, o encontro também tem forte dimensão política e geopolítica, funcionando como um gesto de aproximação entre Washington e governos latino-americanos alinhados à agenda de Trump.

Analistas internacionais também apontam que o presidente americano pode aproveitar a reunião para abordar outros temas da agenda global, como o conflito envolvendo o Irã e o posicionamento estratégico dos países da região diante das disputas geopolíticas atuais.

Apesar da ausência no encontro, há expectativa de que Trump e Lula possam se reunir ainda neste mês, possivelmente em Washington. O presidente brasileiro já mencionou publicamente a possibilidade de um encontro em 16 de março, com foco em temas ligados à segurança pública.

Nas últimas semanas, surgiram sinais de tentativa de reduzir tensões diplomáticas entre os dois países após episódios de atrito registrados no ano passado. Questionado recentemente sobre um eventual encontro com o líder brasileiro, Trump afirmou que gosta “muito” de Lula e que teria prazer em recebê-lo.

Durante um discurso em Brasília, Lula também comentou o cenário internacional e criticou declarações frequentes do presidente americano sobre o poder militar dos Estados Unidos.

“Acham normal o presidente Trump todo dia ficar dizendo ‘eu tenho o maior navio do mundo, eu tenho o maior exército do mundo’? Por que ele não fala ‘eu tenho a maior capacidade de produção de alimento do mundo, eu tenho como distribuir alimento’? Não era muito mais simples e soaria melhor aos nossos ouvidos?”, disse.

No mesmo evento, ao comentar a situação em Cuba, o presidente brasileiro afirmou: “Cuba não está passando fome porque não sabe produzir. Cuba não está passando fome porque não sabe construir sua energia. Cuba está passando fome porque não querem que Cuba tenha acesso às coisas que todo mundo tem direito.”

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