Crise energética
Gasolina a US$ 9 o litro transforma Havana em cidade de caminhantes
Por Redação - Em 09/03/2026 às 12:45 PM

Sem combustível para abastecer os caminhões, a coleta de lixo é prejudicada. Foto: Yan Boechat/O Globo
As ruas de Havana, capital de Cuba, vivem um silêncio incomum. Os carros que ainda circulam pelas cada vez mais vazias avenidas carregam algo tão precioso quanto raro: combustível. Desde que os Estados Unidos impuseram um bloqueio efetivo contra a ilha no início do ano — após a queda do presidente venezuelano Nicolás Maduro, tradicional aliado de Havana —, a escassez de petróleo tornou-se dramática.
O preço da gasolina disparou para US$ 9 por litro (cerca de R$ 46), valor aproximadamente sete vezes superior à média brasileira, transformando o simples ato de abastecer em um luxo inalcançável para a maioria da população.
O impacto dessa crise energética é imediato. Para encher o tanque de um carro popular em Cuba são necessários quase US$ 500 (R$ 2.570), montante equivalente ao salário médio de um médico cubano por mais de três anos de trabalho ininterrupto. Diante desse cenário, muitos profissionais simplesmente abandonaram os carros. “— Agora caminhamos, o que mais podemos fazer?”, relatou Carlos ao O Globo, anestesista que acabava de sair do Hospital Salvador Allende, no centro da capital, ainda vestindo seu uniforme verde-claro.
Nas últimas semanas, Havana transformou-se em uma cidade de caminhantes. Pelas ruas, avenidas e praças, milhares de pessoas percorrem longas distâncias diariamente tentando manter a rotina em meio ao que já é considerado a pior crise de combustíveis da história recente do país. Desde o início de janeiro, o governo americano não permitiu a entrada de sequer um litro de petróleo na ilha, seja por pressões tarifárias ou pelo bloqueio de navios petroleiros que tentaram alcançar águas cubanas.
A escassez de combustível agravou uma crise econômica já profunda. Nos últimos meses, a moeda cubana sofreu forte desvalorização, enquanto a inflação de alimentos tornou itens básicos quase inalcançáveis para grande parte da população — especialmente para aqueles que não recebem remessas de familiares no exterior ou não trabalham com o turismo em dólar.
Embora o governo mantenha as tradicionais bodegas, minimercados estatais que vendem produtos subsidiados e racionados, as prateleiras geralmente estão vazias, restando apenas arroz, detergente e, ocasionalmente, alguma carne enlatada, como salsichas.
Diante do agravamento da crise, o presidente Miguel Díaz-Canel foi às redes sociais recomendar que os cubanos adaptem sua alimentação à nova realidade do país. “ Temos de aceitar que os alimentos não vão mais circular, por isso precisamos comer o que é produzido localmente, é preciso resistir.” Nas ruas de Havana, porém, o discurso encontra resistência.
“ De onde vamos tirar mais resistência? Estamos resistindo há anos, e tudo só piora, nada muda. O que estamos vivendo agora é pior do que o Período Especial”, desabafou Marta, enquanto aguardava na porta de uma farmácia. “Já rodei todas as farmácias e não consigo encontrar sequer um paracetamol para meu pai, que tem câncer de próstata”.
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