
Ilustração da nave DART, da Nasa. Foto: NASA/Johns Hopkins APL/Steve Gribben
Um experimento conduzido pela NASA marcou um feito inédito na história da exploração espacial: pela primeira vez cientistas conseguiram alterar deliberadamente a órbita de um corpo celeste ao redor do Sol. O resultado veio após o impacto da nave Dart (Double Asteroid Redirection Test) contra o asteroide Dimorphos, que orbita um corpo maior chamado Didymos.
O sistema nunca representou ameaça para a Terra e foi escolhido justamente para testar tecnologias de defesa planetária. “Este estudo representa um avanço importante na nossa capacidade de evitar impactos de asteroides na Terra no futuro”, escreveu a equipe internacional de pesquisadores em artigo publicado na revista Science Advances.
Lançada em 2021 no primeiro exercício mundial de defesa planetária, a missão colidiu deliberadamente com Dimorphos em 2022. Inicialmente, a NASA confirmou que o choque havia encurtado a órbita do pequeno asteroide ao redor de Didymos. Agora, análises feitas com telescópios ao redor do mundo indicam que o impacto também provocou uma alteração na órbita do sistema ao redor do Sol: o tempo para completar uma volta solar foi reduzido em 0,15 segundo.
Alteração orbital
Cada órbita dura 769 dias e percorre cerca de 480 milhões de quilômetros. Após a colisão, os cientistas calcularam uma desaceleração de pouco mais de 10 micrômetros por segundo, além de uma redução aproximada de 720 metros no trajeto orbital.
“Embora pareça pouco, um pequeno desvio pode se acumular ao longo de décadas e fazer a diferença entre um asteroide potencialmente perigoso atingir ou não a Terra no futuro”, afirmou por e-mail o autor principal do estudo, Rahil Makadia, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, destacando que a estratégia mais eficaz é provocar pequenos desvios com muitos anos de antecedência.
Os pesquisadores também observaram que rochas e detritos ejetados após o impacto contribuíram tanto quanto a própria nave para empurrar o asteroide, praticamente dobrando o efeito do choque. Uma equipe ítalo-americana estimou que cerca de 16 milhões de quilos de rocha e poeira foram lançados ao espaço.
Mesmo com a alteração orbital, a Terra continua fora do caminho desses asteroides. “Embora seja apenas um experimento, ele representa um dado importante que será útil para futuras missões de desvio de asteroides”, afirmou Steven Chesley, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. Cientistas esperam descobrir ainda mais quando a nave Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA), chegar ao sistema em novembro.