Diplomacia econômica

EUA e China avançam em negociações comerciais em Paris com foco em agricultura e minerais críticos

Por Suzete Nocrato - Em 16/03/2026 às 12:15 PM

Aa1yjys1

Bandeiras dos Estados Unidos e da China. Foto: Toby Melville/REUTERS

Autoridades econômicas dos Estados Unidos e da China devem concluir nesta segunda-feira, 16/3, em Paris, uma nova rodada de negociações comerciais que pode abrir espaço para avanços em temas estratégicos como agricultura, minerais críticos e comércio bilateral. As discussões, segundo fontes familiarizadas com as tratativas ouvidas pela Reuters, podem servir de base para entendimentos que posteriormente seriam avaliados pelos presidentes Donald Trump e Xi Jinping.

Os encontros foram liderados pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e foram descritos pelas fontes como conversas “notavelmente estáveis”, capazes de produzir possíveis “resultados” antes da esperada visita de Trump à China, prevista para o final de março.

Apesar do avanço das conversas, a realização do encontro entre os líderes ainda depende de fatores políticos e estratégicos. Em entrevista ao Financial Times, publicada no domingo, Donald Trump afirmou que a viagem pode ser adiada enquanto os Estados Unidos pressionam Pequim a colaborar na tentativa de desbloquear o Estreito de Ormuz, atualmente fechado pelo Irã. “Podemos adiar”, disse o presidente ao comentar a possibilidade de mudança na agenda diplomática.

As delegações norte-americana e chinesa se reuniram por mais de seis horas no domingo, 15/3, na sede da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris — entidade da qual a China não é membro. Durante as negociações, o lado chinês demonstrou disposição para ampliar as compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos, incluindo aves, carne bovina e grãos que não sejam de soja, conforme relatou uma das fontes envolvidas nas discussões.

Outro ponto relevante nas conversas é o compromisso já firmado anteriormente por Pequim. Segundo uma das fontes ouvidas, a China permanece comprometida em adquirir 25 milhões de toneladas métricas de soja norte-americana por ano durante os próximos três anos, conforme estabelecido na trégua comercial de outubro de 2025.

Enquanto as negociações avançavam, porta-vozes do Tesouro dos EUA e do escritório do Representante de Comércio norte-americano evitaram comentar detalhes do diálogo, e representantes chineses deixaram o local no domingo sem conceder declarações à imprensa.

Mais notícias

Ver tudo de IN Business