Crise Energética Global
Escalada no Oriente Médio pressiona energia global e eleva petróleo rumo aos US$ 120
Por Suzete Nocrato - Em 19/03/2026 às 9:21 AM

Imagem de arquivo mostra refinaria de gás natural Ras Laffan Industrial City, no Qatar. Foto: Karim Jaafar/AFP
A intensificação da guerra no Oriente Médio atingiu um novo patamar nesta quinta-feira, 19/3, com o Irã ampliando seus ataques à infraestrutura energética de países vizinhos após receber um ultimato do presidente Donald Trump e de nações árabes e islâmicas reunidas em Riad, na Arábia Saudita.
Em seu vigésimo dia, o conflito iniciado por Estados Unidos e Israel assume contornos críticos para o setor energético global, com reflexos imediatos nos mercados: o preço do gás na Europa disparou 35% nesta quinta-feira, enquanto o petróleo segue em trajetória de alta, aproximando-se de US$ 120 o barril, impulsionado também pelo virtual fechamento do estratégico estreito de Ormuz.
A resposta iraniana veio em larga escala após Israel atingir instalações de extração de gás natural no campo Pars Sul — região que concentra 40% das reservas sob controle do Irã no maior campo do mundo, compartilhado com o Qatar, detentor dos outros 60%.
Em retaliação, Teerã direcionou ataques ao emirado, atingindo o complexo de processamento e exportação de gás natural liquefeito em Ras Laffan, que permanece em chamas. Segundo a estatal QatarEnergy, “os danos foram extensos” e “incêndios consideráveis” no local, segundo a Qatar Energy, responsável pelas duas refinarias atingidas. A produção, interrompida desde o dia 2, segue sem previsão de retomada.
Declarações duras
O cenário se agravou com a entrada direta de declarações de alto impacto político. Em publicação na Truth Social, Donald Trump afirmou que Israel não voltaria a atacar Pars Sul, mas elevou o tom contra o Irã: “Se o Irã decidir de forma imprudente atacar os muito inocentes, no caso o Qatar, […] os EUA vão, com ou sem a ajuda ou o consentimento de Israel, explodir maciçamente a totalidade do campo de gás de Pars Sul”. Após a declaração, os iranianos não retomaram ataques ao local específico, mas ampliaram o raio de ação para novos alvos estratégicos na região.
Pela primeira vez, drones iranianos atingiram o porto saudita de Yanbu, no mar Vermelho — peça-chave para exportações que contornam o estreito de Hormuz. A operação foi paralisada. Também foram registrados ataques a uma refinaria da Saudi Aramco nas proximidades de Riad, a uma unidade em Mina al-Ahmadi, no Kuwait, e a um navio próximo aos Emirados Árabes Unidos.
Em meio à escalada, 12 países árabes e islâmicos reunidos em Riad emitiram comunicado conjunto exigindo que Teerã cesse as ofensivas contra seus vizinhos, “que se reservam o direito de se defender”. O chanceler saudita, príncipe Faisal bin Farhan, foi direto: “O Irã até aqui não entendeu ou não quis entender a mensagem”. Paralelamente, Tel Aviv mantém operações no Líbano, com ofensivas terrestres no sul e bombardeios contra posições do Hezbollah.
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