Força regional
Nova geografia política emerge no Congresso com protagonismo do Ceará
Por Julia Fernandes Fraga - Em 05/04/2026 às 4:30 PM

Principais trocas ocorreram na Câmara dos Deputados. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
O Ceará foi um dos epicentros da janela partidária de 2026 e ajuda a explicar o redesenho político que emerge no Congresso Nacional após o fim do prazo de filiações. Com nove trocas registradas na Câmara dos Deputados, o estado concentrou movimentos relevantes, evidenciando o avanço do PSB, a reorganização de siglas como União Brasil, PSD e PP, e o enfraquecimento do PDT.
O movimento local dialoga diretamente com o cenário em Brasília. No plano nacional, mais de 100 parlamentares trocaram de partido ao longo do último mês, com aceleração na reta final — quando as sessões da Câmara chegaram a ser suspensas para viabilizar articulações nos estados.
O principal beneficiado foi o PL, que ampliou sua bancada e se consolidou como maior polo de atração entre partidos de direita e centro.
União Brasil
O União Brasil liderou as perdas, embora mantenha uma estrutura robusta, com 51 deputados e capilaridade nacional. Entre os nomes que permanecem em posições estratégicas no Ceará, estão Dayany do Capitão, Moses Rodrigues e Mauro Benevides Filho, recém filiado, preservando presença relevante mesmo após o partido registrar o maior saldo negativo da janela em nível nacional.
Os deputados Fernanda Pessoa e Danilo Forte foram dois dois dos que deixaram a legenda e migraram para PSD e PP, respectivamente.
A sigla também sustenta uma base distribuída nacionalmente, com parlamentares como Arthur Maia (BA), Elmar Nascimento (BA), Paulo Azi (BA), Fábio Garcia (MT), Pedro Lucas Fernandes (MA) e Silvye Alves (GO), entre outros, o que mantém sua capacidade de articulação mesmo diante das perdas.
Disputa estadual molda cenário nacional
O comportamento do Ceará reforça a principal leitura da janela: as decisões foram guiadas majoritariamente por interesses regionais. Mais do que um rearranjo coordenado em torno da disputa presidencial, o que se viu foi a montagem de palanques estaduais, articulações para o Senado e reposicionamento estratégico para 2026.
No estado, além da movimentação entre partidos, chamou atenção a saída da deputada Luizianne Lins (CE), que deixou o PT após décadas para se filiar à Rede, em um dos movimentos mais simbólicos da janela.
Centro pressionado e direita em expansão
No recorte nacional, o PSD — que buscava se consolidar como força moderadora — apresentou desempenho abaixo do esperado, perdendo espaço em regiões estratégicas. Em paralelo, siglas como Podemos, PP, PSB e Republicanos registraram crescimento pontual.
Casos emblemáticos reforçaram o movimento, como a volta de Duda Salabert (MG) ao PSOL, a ida de Túlio Gadelha (PE) para o PSD e a filiação de Mendonça Filho (PE) ao PL após deixar o União Brasil.
Senado acompanha, com impacto concentrado
No Senado, o volume de trocas foi menor, mas politicamente relevante. O PL também avançou, com as filiações de Sergio Moro (PR) e Efraim Filho (PB). Já o PSD perdeu nomes importantes, como Rodrigo Pacheco (MG), que se filiou ao PSB, e Eliziane Gama (MA), que migrou para o PT.
Novo mapa político
Com o fim da janela, o Congresso passa a refletir um novo equilíbrio de forças, moldado por interesses regionais e pela crescente polarização. O período, previsto na legislação eleitoral como exceção à fidelidade partidária, segue sendo o principal instrumento de ajuste político no país.
A partir de agora, o foco se volta às convenções partidárias e à consolidação das candidaturas. O redesenho observado — com o Ceará entre os protagonistas — funciona como primeiro termômetro real da disputa eleitoral de 2026.
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