Credibilidade fiscal
Novo comando na Fazenda enfrenta limites do ajuste e risco de desancoragem
Por Redação - Em 05/04/2026 às 8:44 PM

Alçado a ministro, Dario Durigan ocupava a secretaria executiva da pasta. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Dario Durigan assumiu o Ministério da Fazenda em um momento em que o desafio da política econômica deixou de ser apenas fiscal e passou a ser de credibilidade. A troca após Fernando Haddad não altera o quadro: metas pressionadas, espaço orçamentário comprimido e crescente desconfiança sobre a capacidade de execução.
Nos primeiros movimentos, o novo ministro sinaliza continuidade com margem estreita. O bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento de 2026 foi interpretado como insuficiente diante do esforço necessário. A projeção oficial de superávit de R$ 3,5 bilhões convive com estimativa de déficit de R$ 59,8 bilhões ao considerar despesas fora do arcabouço.
Herança fiscal: desenho preservado, execução em dúvida
Durigan herda menos um problema de arquitetura e mais de execução. O arcabouço fiscal permanece como âncora formal, mas perdeu força diante da sequência de revisões de metas e dificuldades de cumprimento.
Com dívida próxima de 78,7% do PIB e avanço das despesas obrigatórias, o espaço para ajuste real é limitado. A consequência direta é a compressão do investimento público e a perda de potência da política fiscal como instrumento de crescimento.
A equação central: ajuste com pressão por gasto
A largada da nova gestão expõe uma contradição estrutural. Ao mesmo tempo em que promove contenção via bloqueio orçamentário, o governo avança em medidas de impacto fiscal, como o subsídio ao diesel e iniciativas para conter a inadimplência .
O problema está na sinalização e a combinação de ajuste marginal com expansão pontual reforça a leitura de inconsistência — elemento que pesa diretamente na formação de expectativas.
Congresso define o ritmo do ajuste
O eixo do desafio é sobretudo político. A consolidação fiscal depende de articulação no Congresso em um ambiente de pressão por flexibilizações e agendas de curto prazo.
Medidas com potencial de perda de arrecadação, como revisões tributárias em discussão, ampliam o risco de desvio das metas. Nesse cenário, a governabilidade econômica passa a ser condição para a própria sustentabilidade fiscal.
O que está em jogo
O ponto central não é o tamanho da meta, mas sua credibilidade. Sem confiança na execução, qualquer trajetória fiscal perde capacidade de ancorar expectativas.
Com investimento público ao redor de 2,3% do PIB e crescimento irregular, o país segue em dinâmica de baixa expansão. Nesse contexto, a deterioração da percepção fiscal tende a se traduzir em pressão sobre juros e câmbio, com efeito direto sobre crédito e inflação.
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