Agenda Legislativa

Senado encerra CPI do Crime Organizado em meio a tensão política e eleitoral

Por Julia Fernandes Fraga - Em 08/04/2026 às 12:02 AM

Alessandrovieira

Relator discordou da decisão da presidência da Casa. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado 

A decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de não prorrogar a CPI do Crime Organizado aponta os limites políticos das Comissões Parlamentares de Inquérito em ano eleitoral. O colegiado encerra os trabalhos em 14 de abril, com previsão de votação do relatório final.

A definição foi comunicada após reunião entre Alcolumbre e o relator da CPI, Alessandro Vieira (MDB-SE), na terça-feira (7). Segundo o relator, o argumento central foi o calendário eleitoral, que desestimularia a continuidade dos trabalhos neste momento.

Em plenário, Alessandro classificou a decisão como prejudicial ao país, ao registrar que o encerramento ocorre antes do aprofundamento de linhas investigativas em curso. Apesar disso, descartou recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), reforçando que a prorrogação de CPIs é prerrogativa política da presidência da Casa.

Pressão por continuidade

Durante a sessão, o senador Sergio Moro (PL-PR) defendeu a continuidade das investigações, destacando que a CPI do Crime Organizado vinha avançando sobre mecanismos de lavagem de dinheiro e a infiltração de organizações criminosas na economia formal.

Segundo o parlamentar, há indícios que exigiriam aprofundamento, especialmente em relação a movimentações financeiras e decisões que limitaram diligências, como quebras de sigilo. A interrupção, nesse contexto, desloca o debate para fora da comissão e reforça a pressão por novos instrumentos de apuração.

Relatório final e novo eixo de investigação

Sem extensão de prazo, a CPI do Crime Organizado deve concentrar seus esforços na consolidação do relatório final, previsto para votação na próxima terça-feira. Paralelamente, ganha força a articulação por uma nova CPI, com foco específico em operações envolvendo o Banco Master — pedido já protocolado no Senado.

A estratégia sinaliza uma transição de escopo: da investigação mais ampla sobre crime organizado para um recorte direcionado ao sistema financeiro e possíveis conexões com atividades ilícitas.

O tema também foi reforçado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que defendeu a instalação de uma CPI no Senado ou de uma Comissão Mista (CPMI) no Congresso. Segundo ele, há apoio expressivo na Casa para a abertura da investigação.

Girão ampliou o discurso ao criticar decisões do STF e cobrar maior transparência institucional, conectando o debate sobre segurança jurídica ao funcionamento das investigações parlamentares.

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