PETRÓLEO

Emirados Árabes deixam a Opep e ampliam tensão no mercado global de petróleo

Por REDAÇÃO - Em 28/04/2026 às 10:08 AM

Emirados Árabes Unidos

Decisão dos Emirados Árabes reposiciona forças no mercado internacional de petróleo — Foto: Pexels

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram, nesta terça-feira (28), a saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a Opep, e da Opep+, em um movimento que reposiciona a geopolítica do petróleo e amplia as incertezas sobre a capacidade de coordenação do grupo.

A decisão ocorre em meio à escalada de tensões no Oriente Médio e a dificuldades logísticas no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de energia. Pela região passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo, o que amplia o impacto da ruptura sobre os mercados internacionais.

A saída de um membro histórico do cartel representa um abalo relevante na estrutura liderada pela Arábia Saudita e evidencia divergências internas que vinham sendo mantidas fora do radar público.

Além do componente econômico, o movimento carrega um viés diplomático. Os Emirados vinham demonstrando insatisfação com a resposta regional aos ataques iranianos e com o posicionamento de aliados no Golfo.

“Os países do Conselho de Cooperação do Golfo se apoiaram logisticamente, mas política e militarmente, acho que sua posição tem sido historicamente a mais fraca”, afirmou Anwar Gargash, conselheiro diplomático do país.

A decisão também dialoga com pressões externas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem criticado a atuação da Opep, acusando o grupo de influenciar os preços globais ao restringir a oferta de petróleo.

Novo cenário

Com a saída formalizada, o mercado tende a operar em um ambiente mais descentralizado, com menor previsibilidade sobre políticas de produção e preços. A mudança reforça um momento em que energia, segurança e política internacional passam a atuar de forma cada vez mais interdependente.

A ruptura dos Emirados Árabes sinaliza desgaste no modelo tradicional de governança do petróleo e aponta para uma nova dinâmica global, marcada por decisões mais autônomas dos países produtores e maior volatilidade nos mercados.

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