transição
Powell confirma saída do Fed e deixa alerta sobre nova onda inflacionária global
Por Redação - Em 29/04/2026 às 4:56 PM

Powell deixa a presidência após oito anos marcados por decisões históricas, incluindo a resposta monetária à Covid-19
Jerome Powell confirmou que deixará a presidência do Federal Reserve em 15 de maio, encerrando um dos períodos mais turbulentos da história recente do banco central americano sob o peso de pandemia, inflação persistente, tensões comerciais e novos riscos geopolíticos. Em sua última manifestação à frente da autoridade monetária, Powell destacou que o prolongamento do conflito envolvendo o Irã pode ampliar pressões inflacionárias globais, especialmente por meio da energia, adicionando incerteza ao cenário econômico internacional.
Ao se despedir do comando da instituição, Powell ressaltou que o impacto de uma guerra prolongada no Oriente Médio pode atingir diretamente cadeias energéticas, preços de combustíveis e custos logísticos, dificultando o processo de convergência da inflação à meta de 2% nos Estados Unidos. A avaliação ocorre em um momento em que o petróleo voltou a operar sob forte volatilidade, impulsionado pelo risco de ruptura em rotas estratégicas globais.
Powell deixa a presidência após oito anos marcados por decisões históricas, incluindo a resposta monetária à Covid-19, o ciclo agressivo de alta de juros para conter a inflação e a tentativa de equilibrar crescimento econômico com estabilidade de preços em meio a choques externos sucessivos. Mesmo deixando o posto principal, ele permanecerá no Conselho de Governadores, preservando influência institucional em um momento de transição sensível.
Seu sucessor, Kevin Warsh, assume em um ambiente de desafios ampliados: inflação ainda acima da meta, pressão política por juros mais baixos e um cenário internacional que pode reacender choques de preços justamente quando o mercado buscava previsibilidade para cortes monetários. Para analistas, a advertência de Powell reforça que o foco do Fed não está apenas na inflação doméstica, mas também na capacidade de crises geopolíticas de contaminar expectativas globais.
A saída de Powell ocorre menos como um encerramento protocolar e mais como uma transição em meio a um ambiente de vulnerabilidade econômica, no qual energia, guerra e política monetária voltam a se entrelaçar. Sua mensagem final foi clara: se o conflito se prolongar e os preços de energia permanecerem pressionados, a inflação poderá voltar a impor custos mais altos à economia americana e ao restante do mundo.
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