Pesquisa Quaest

Adversários históricos, Cid e Wagner dividem topo das intenções de voto para o Senado no Ceará

Por Julia Fernandes Fraga - Em 30/04/2026 às 5:56 PM

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Se as candidaturas se confirmarem, Capitão Wagner tentará o primeiro mandato e Cid a reeleição. Foto: Montagem

A divulgação da mais recente pesquisa Genial/Quaest nesta quinta-feira (30) oferece mais do que um ranking de nomes cearenses para o Senado Federal. O levantamento desenha um mapa político onde o Ceará aparece dividido entre a memória afetiva de gestões passadas e um distanciamento do eleitor comum em relação ao pleito de 2026.

Enquanto os bastidores políticos fervem com as articulações de alianças, os números revelam que o maior protagonista da disputa, no momento, não é um candidato, mas a ausência de escolha.

Quaest expõe alto número de indecisos e mantém disputa pelo Governo do Ceará em aberto

O peso da indecisão

O dado mais contundente da pesquisa não reside nos 17% de Cid Gomes (PSB) ou nos 17% de Capitão Wagner (União), mas no contingente de eleitores que ainda não se sentem representados. No cenário que apresenta dez pré-candidatos, a soma de brancos, nulos e indecisos atinge 42%.

Na prática, isso significa que quatro em cada dez cearenses estão “fora do jogo” neste momento. Esse fenômeno sugere que a antecipação da disputa entre o grupo governista, liderado pelo PT e PSB, e a oposição, encabeçada pelo União Brasil, ainda não furou a bolha do cotidiano da população. Há um oceano de votos em disputa que pode, futuramente, alterar completamente a hierarquia que hoje se vê nas pesquisas.

Cid X Wagner

No topo da lista, Cid Gomes e Capitão Wagner – adversários antigos – travam um duelo de espelhos, empatando tecnicamente em todas as simulações. A resiliência de Cid mostra que seu capital político sobrevive ao racha familiar com o irmão, Ciro Gomes (PSDB), sustentando-se na imagem de “tocador de obras” e ex-governador. 

Do outro lado, Capitão Wagner demonstra que consolidou seu nicho. Mesmo com a presença de nomes do PL, partido que abriga o bolsonarismo raiz, como Priscila Costa e Pastor Alcides, os votos da direita e do campo oposicionista convergem majoritariamente para ele.

A terceira via

Um dos pontos reveladores da análise surge quando se observa a movimentação de Roberto Cláudio (União) e Luizianne Lins (Rede). O ex-prefeito de Fortaleza, quando testado, segura uma fatia importante de cerca de 10% do eleitorado. O que chama a atenção, no entanto, é o destino desses votos em sua ausência. 

A saída de Roberto Cláudio da lista não infla imediatamente os números de Cid Gomes ou de Luizianne Lins. Em vez disso, o que cresce é a taxa de brancos e nulos. Isso parece indicar a existência de um eleitor de centro, urbano e moderado, que não se sente confortável em migrar para os polos tradicionais da política cearense, preferindo o descarte do voto à escolha de um nome que não preencha os requisitos técnicos que Roberto Cláudio representa para esse grupo.

O que está em jogo

A pesquisa da Quaest ressalta ainda uma característica histórica do eleitorado cearense: o pragmatismo. Candidatos com perfis estritamente ideológicos, tanto à esquerda (PSOL) quanto à direita (PL), encontram dificuldades para ultrapassar a barreira dos 4% de intenção de voto.

O cenário atual beneficia figuras que já ocuparam grandes máquinas administrativas ou cargos de relevância nacional, como o deputado federal Eunício Oliveira (MDB), que mantém uma base estável de 6%. Para os novos nomes, o desafio não será apenas se tornar conhecido, mas convencer um eleitorado cético de que podem oferecer a mesma segurança institucional que os veteranos que hoje lideram a corrida.

Com duas vagas em disputa, a eleição de 2026 no Ceará não será apenas uma guerra de nomes, mas uma corrida de resistência para ver quem conseguirá capturar o interesse da massa de 42% que, por enquanto, observa a disputa de longe.

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