Mercado da Saúde

Mounjaro assume topo da indústria farmacêutica após faturar US$ 8,7 bilhões em três meses

Por Jussara Beserra - Em 09/05/2026 às 12:35 PM

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Mounjaro reposiciona o eixo bilionário da indústria farmacêutica – Foto: Divulgação

Durante anos, o topo da indústria farmacêutica foi dominado por terapias contra o câncer. Agora, o mercado assiste a uma mudança de rota bilionária. O Mounjaro, da Eli Lilly, tornou-se o medicamento mais vendido do mundo ao alcançar US$ 8,7 bilhões em receita no primeiro trimestre de 2026 e ultrapassar o Keytruda, imunoterapia da Merck que liderava o ranking global desde 2023.

A virada simboliza algo maior do que uma troca de posições no setor farmacêutico. As drogas da classe GLP-1 deixaram de ocupar apenas o território clínico da diabetes e passaram a movimentar uma nova economia global ligada a emagrecimento, metabolismo e longevidade.

Nos Estados Unidos, onde aproximadamente 100 milhões de adultos convivem com obesidade, a demanda ganhou escala epidêmica. O crescimento internacional do Mounjaro acelerou na mesma proporção. Fora do mercado americano, o medicamento saltou de US$ 1,2 bilhão para US$ 4,4 bilhões em vendas em apenas um ano.

O domínio da Lilly se amplia quando o mercado inclui o Zepbound, versão da tirzepatida aprovada especificamente para perda de peso. Juntos, os dois produtos movimentaram US$ 36,5 bilhões em 2025, superando os US$ 31,6 bilhões do Keytruda no mesmo período.

Ao mesmo tempo, a próxima disputa bilionária já começou. Novo Nordisk e Eli Lilly aceleram o desenvolvimento das versões orais das GLP-1s, numa corrida para substituir as aplicações semanais por comprimidos. A Lilly já conduz estudos avançados do orforglipron, atualmente em Fase 3.

A liderança de um medicamento voltado à obesidade sobre uma terapia oncológica não fala apenas sobre a indústria farmacêutica. Fala sobre prioridades contemporâneas, pressão estética, saúde pública e um mercado que descobriu no metabolismo o ativo mais valioso da próxima década.

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