Infraestrutura Nacional
Leilão de térmicas acirra disputa sobre rumos da matriz energética brasileira
Por Julia Fernandes Fraga - Em 14/05/2026 às 12:03 AM

O deputado federal Danilo Forte abordou o assunto no 15º LIDE Forum, em Nova Iorque. Foto: Reprodução/Instagram
O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026, promovido pelo governo federal e considerado o maior leilão térmico da história do país, se transformou em um dos principais embates do setor elétrico brasileiro ao reunir pressão política, judicialização e disputa bilionária sobre os rumos da matriz energética nacional. Realizado em março, o certame contratou 18,9 gigawatts de potência, com receitas estimadas em R$ 515,7 bilhões ao longo dos contratos.
O leilão — que serve para garantir potência adicional ao sistema elétrico em horários críticos de demanda — passou a ser alvo de críticas parlamentares como do deputado federal Danilo Forte (PP-CE), que questiona o impacto tarifário, a governança do processo e a priorização de termelétricas movidas a gás natural e carvão mineral.
Durante participação no 15º LIDE Brazil Investment Forum, em Nova Iorque, Forte afirmou que o Brasil pode perder competitividade global ao “ressuscitar a energia do passado” em vez de acelerar investimentos em fontes limpas e sistemas de armazenamento por baterias. O parlamentar também argumenta que o modelo já afeta projetos renováveis no Nordeste, com reflexos sobre investimentos e empregos no Ceará.
Pressão sobre o governo
O debate ganhou força após a 6ª Vara Federal Cível do Distrito Federal cobrar explicações do Ministério de Minas e Energia, da Agência Nacional de Energia Elétrica e da Empresa de Pesquisa Energética sobre alterações nos preços-teto do leilão.
O Ministério Público Federal (MPF) também se posicionou favoravelmente à suspensão da homologação dos contratos em ação movida pela Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes das Indústrias de Energias (Abraenergias).
Entre os principais questionamentos está a elevação dos preços-teto das térmicas poucos dias antes do certame. Para críticos, o volume contratado teria ficado acima da necessidade do sistema, o que poderia gerar impacto permanente na conta de luz.
Segurança energética x transição limpa
O governo federal, por outro lado, trata o leilão como estratégico para garantir estabilidade ao Sistema Interligado Nacional diante da expansão das fontes solar e eólica.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, classificou o processo como “o maior leilão de térmicas da história do país” e defendeu que a contratação reduz riscos de desabastecimento em horários críticos de demanda.
Empresas vencedoras, como Petrobras e Eneva, sustentam que as térmicas funcionam como suporte necessário para a expansão das renováveis. Já setores ligados à energia solar e eólica defendem maior espaço para baterias e tecnologias de armazenamento.
O embate passou a simbolizar uma disputa maior sobre os rumos da política energética brasileira: segurança imediata do sistema elétrico versus aceleração da transição para uma matriz mais limpa e menos dependente de combustíveis fósseis.
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