Paleontologia

Ceará é protagonista em mobilização internacional para repatriar fósseis de dinossauros

Por REDAÇÃO - Em 22/05/2026 às 11:42 AM

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Região do Cariri concentra fósseis considerados estratégicos para a ciência e a memória paleontológica brasileira — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Ceará se consolidou como peça central nas ações brasileiras para recuperar fósseis de dinossauros e patrimônios paleontológicos levados ilegalmente para o exterior. Com a Bacia do Araripe reconhecida mundialmente pela riqueza científica, o Estado lidera parte das negociações conduzidas pelo Governo Federal, Ministério Público e instituições de pesquisa para trazer de volta materiais espalhados por pelo menos 14 países.

A mobilização ganhou força nos últimos anos após a repatriação do Ubirajara jubatus, fóssil encontrado na região do Cariri e devolvido pela Alemanha ao Brasil em 2023. O dinossauro, que viveu há cerca de 110 milhões de anos, hoje integra o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, ligado à Universidade Regional do Cariri (Urca).

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Fóssil do Ubirajara jubatus retornou ao Ceará em 2023 após ser repatriado da Alemanha — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Mais recentemente, outro acordo firmado entre Brasil e Alemanha abriu caminho para o retorno do Irritator challengeri, espécie que viveu há aproximadamente 116 milhões de anos na região do Araripe. O fóssil estava desde 1991 no Museu Estadual de História Natural de Stuttgart e teria sido retirado ilegalmente do país.

Segundo o diretor do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, professor Allysson Pinheiro, existem negociações em andamento envolvendo fósseis brasileiros localizados em diversos continentes. “Há vários outros materiais que estão sendo negociados com a Alemanha, e há patrimônios do Brasil em quase todos os continentes”, afirmou o pesquisador.

Colonialismo científico

Especialistas alertam que a retirada ilegal de fósseis compromete diretamente o desenvolvimento científico nacional. A paleontóloga Aline Ghilard, coordenadora do DinoLab da UFRN, avalia que o chamado “colonialismo científico” concentra descobertas e investimentos em instituições estrangeiras. “A maior parte dos museus europeus está recheada com materiais de territórios que foram colônias ou que têm sido explorados numa lógica de assimetria de poder”, disse.

Estudos recentes mostram que quase metade das pesquisas sobre fósseis da Bacia do Araripe foi realizada exclusivamente por pesquisadores estrangeiros, sem participação brasileira. Outra análise aponta que 88% dos macrofósseis estudados entre 1990 e 2020 foram levados para museus internacionais e ainda não retornaram ao Brasil.

Importância para o turismo

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Professor Allysson Pinheiro ao lado do fóssil do dinossauro Ubirajara jubatus — Foto: Estácio Jr./Gov. do Ceará

Além da relevância científica, a repatriação dos fósseis também impulsiona o turismo e fortalece a identidade cultural do Cariri cearense. Segundo Allysson Pinheiro, o retorno do Ubirajara aumentou o número de visitantes no museu e despertou ainda mais interesse de crianças e jovens pela paleontologia. “Fósseis de dinossauros são superatrativos para esse público e têm realmente aficionado crianças e adultos”, destacou.

Reconhecida pela Unesco como geoparque mundial desde 2006, a Bacia do Araripe também entrou na lista de candidatas a patrimônio da humanidade da ONU. A região abrange municípios do Ceará, Pernambuco e Piauí e é considerada uma das áreas paleontológicas mais importantes da América Latina.

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