Consumo premium
Mercado de luxo mantém fôlego e Rolex eleva preços pela segunda vez em 2026
Por Redação - Em 13/06/2026 às 12:01 AM

A combinação entre produção controlada, oferta limitada e alta demanda mantém a atratividade dos produtos
O mercado global de relógios de luxo segue demonstrando resiliência diante da desaceleração do consumo em outros segmentos premium. A Rolex promoveu um novo reajuste nos preços de seus modelos em ouro, elevando os valores em cerca de 5% em mercados estratégicos como Estados Unidos, Reino Unido e Hong Kong. Trata-se da segunda alta aplicada pela fabricante suíça em 2026, movimento considerado incomum pelo setor.
O reajuste ocorre poucos meses após um aumento anterior realizado em janeiro e reflete, principalmente, a valorização do ouro no mercado internacional. O metal precioso praticamente dobrou de preço desde 2024, pressionando os custos de produção das principais marcas de relógios e joias de luxo.
A tendência não se restringe à Rolex. Fabricantes concorrentes também vêm revisando seus preços. A Cartier, controlada pelo grupo Richemont, reajustou alguns modelos de relógios de ouro em até 10%. Segundo a empresa, fatores como o encarecimento das matérias-primas e as oscilações cambiais influenciaram a decisão.
Apesar do cenário econômico mais cauteloso e da redução dos gastos de parte dos consumidores de renda média, especialistas apontam que a demanda da clientela de alta renda continua sustentando as vendas dos produtos mais exclusivos. Nesse contexto, as marcas têm ampliado a oferta de peças em metais preciosos e modelos posicionados como itens de investimento e colecionismo.
Um dos exemplos é o Cosmograph Daytona em ouro branco, um dos modelos mais emblemáticos da Rolex. Nos Estados Unidos, o relógio acumula valorização expressiva nos últimos anos, refletindo a forte procura por peças raras e de edição limitada.
Dados do setor relojoeiro suíço reforçam essa mudança de perfil do mercado. Relógios com preços superiores a 20 mil francos suíços passaram a representar parcela crescente do faturamento da indústria, respondendo pela maior parte do valor exportado pelo país em 2025.
Analistas avaliam que a força da marca Rolex continua sendo um diferencial competitivo importante. A combinação entre produção controlada, oferta limitada e alta demanda mantém a atratividade dos produtos, mesmo em um ambiente de preços mais elevados. O resultado é um mercado cada vez mais concentrado nos consumidores de maior poder aquisitivo, capazes de absorver os sucessivos reajustes sem comprometer o interesse por peças exclusivas.
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