Indústria Farmacêutica

Novo Nordisk leva disputa dos remédios para obesidade aos tribunais contra a Eli Lilly

Por Redação - Em 21/07/2026 às 11:39 AM

Novo Nordisk Sign Board In Front Of Hq

O processo marca uma nova etapa da rivalidade entre as duas empresas, que disputam liderança não apenas em inovação e participação de mercado, mas também na narrativa construída junto a médicos, pacientes e investidores

A concorrência pelo mercado bilionário de medicamentos para obesidade e diabetes ganhou um novo capítulo. A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk entrou com uma ação judicial nos Estados Unidos contra a rival Eli Lilly, acusando a empresa de utilizar publicidade enganosa para promover os medicamentos Zepbound e Mounjaro em comparação com Wegovy e Ozempic.

Protocolada em um tribunal federal de Nova Jersey, a ação sustenta que a Eli Lilly teria baseado suas campanhas publicitárias em estudos clínicos considerados desatualizados, comparando as doses mais altas aprovadas de seus medicamentos com versões anteriores de Wegovy e Ozempic, sem considerar as formulações mais recentes da Novo Nordisk.

Segundo a farmacêutica dinamarquesa, essa metodologia cria uma percepção equivocada sobre a superioridade dos tratamentos da concorrente. Um dos anúncios questionados afirma que pacientes tratados com Zepbound perderam, em média, cerca de 50 libras, enquanto usuários de Wegovy teriam perdido 33 libras. A Novo Nordisk argumenta que, após a aprovação de uma dose mais elevada de Wegovy, estudos independentes apontam perda média próxima de 47 libras, reduzindo significativamente a diferença entre os medicamentos.

A empresa afirma ainda que notificou a Eli Lilly em abril, solicitando a retirada das campanhas. Como não houve acordo, decidiu recorrer à Justiça, pedindo a suspensão das peças publicitárias, a veiculação de uma campanha corretiva e o pagamento de indenização por eventuais prejuízos decorrentes da publicidade contestada.

Até a divulgação da ação, a Eli Lilly não havia apresentado resposta oficial ao processo.

A disputa ocorre em um dos segmentos mais disputados da indústria farmacêutica. Os medicamentos à base de GLP-1, inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, transformaram-se em protagonistas do mercado global de combate à obesidade e movimentam bilhões de dólares, impulsionando receitas e valor de mercado das fabricantes. Analistas estimam que esse mercado poderá superar US$ 100 bilhões ao longo da próxima década.

O processo marca uma nova etapa da rivalidade entre as duas empresas, que disputam liderança não apenas em inovação e participação de mercado, mas também na narrativa construída junto a médicos, pacientes e investidores.

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