Indústria Automotiva
Volkswagen reduz projeções para 2026 após queda de 9,5% no lucro operacional
Por Redação - Em 24/07/2026 às 9:26 AM

A companhia passou a estimar que as vendas de 2026 ficarão entre estabilidade e retração de 3%, enquanto a previsão anterior indicava estabilidade ou crescimento de até 3%
A Volkswagen revisou para baixo suas perspectivas para 2026 depois de registrar um segundo trimestre marcado pela redução da rentabilidade e pelo enfraquecimento das vendas na China. A montadora alemã passou a projetar estabilidade ou queda de até 3% nas vendas globais e reduziu sua expectativa para as entregas de veículos, refletindo um ambiente mais desafiador para a indústria automotiva.
No balanço divulgado nesta sexta-feira (24), o grupo informou receita de 82,44 bilhões de euros entre abril e junho, avanço de 2% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do crescimento do faturamento, o lucro operacional caiu 9,5%, para 3,47 bilhões de euros, abaixo da expectativa de 4,02 bilhões de euros dos analistas consultados pela FactSet. A margem operacional ficou em 4,2%.
A empresa também revelou que as tarifas impostas pelos Estados Unidos reduziram em 1,3 bilhão de euros o lucro operacional acumulado no primeiro semestre.
A revisão das projeções reflete, principalmente, o desempenho do mercado chinês, onde o volume de negócios da Volkswagen recuou após uma contração de 20% nas vendas do setor durante o primeiro semestre.
Com isso, a companhia passou a estimar que as vendas de 2026 ficarão entre estabilidade e retração de 3%, enquanto a previsão anterior indicava estabilidade ou crescimento de até 3%. Para as entregas de veículos, a expectativa agora é de queda entre 3% e 7%, substituindo a projeção anterior de estabilidade.
Mesmo diante do cenário mais desafiador, a Volkswagen manteve sua estimativa de margem operacional entre 4% e 5,5% para o ano, percentual superior aos 2,8% registrados em 2025.
Além da revisão das metas, a montadora pretende aprofundar seu processo de reestruturação. Após anunciar um programa para reduzir 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030, a empresa avalia novas medidas para diminuir custos e simplificar sua operação.
Segundo o CEO Oliver Blume, a Volkswagen opera com uma desvantagem de custos de cerca de 20% em relação a concorrentes em áreas como administração e infraestrutura. Entre as alternativas estudadas estão a redução da gama de modelos em até 50%, novos cortes na capacidade produtiva e a reavaliação do futuro de fábricas alemãs.
O grupo, que reúne marcas como Volkswagen, Audi e Porsche, enfrenta um cenário de maior competição global, impulsionado pelo avanço das montadoras chinesas, pela redução de incentivos aos veículos elétricos nos Estados Unidos e pelo aumento dos custos de produção. Os dados financeiros e as projeções foram divulgados pela própria Volkswagen, enquanto as estimativas de mercado são da FactSet.
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