Chapa Fechada

Júlio Ventura permanece na chapa de Cid após experiência como senador

Por Fernando Benevides - Em 06/08/2026 às 9:22 PM

Empresário seguirá como segundo suplente de Cid Gomes na disputa ao Senado. Em 2022, assumiu a cadeira por 121 dias e retorna à chapa como um dos poucos suplentes cearenses que já exerceram efetivamente o mandato.

Julio Ventura E Cid Gomes (2)

Julio Ventura E Cid Gomes

A definição da chapa de Cid Gomes (PSB) para a disputa ao Senado preservou um nome que, embora ocupe a segunda suplência, já conhece a rotina do Congresso Nacional.

Júlio Ventura permanecerá como segundo suplente da candidatura do senador à reeleição, enquanto o deputado federal Júnior Mano ocupará a primeira suplência.

Mais do que manter uma composição partidária, a decisão preserva na linha sucessória um aliado que já exerceu efetivamente o mandato de senador.

Da segunda suplência ao Senado

A experiência de Júlio Ventura no Congresso começou em setembro de 2022.

Naquele ano, Cid Gomes licenciou-se do Senado por 121 dias, em licença para tratar de interesse particular, sem remuneração.

O primeiro suplente da chapa, Prisco Bezerra, comunicou formalmente que não assumiria o mandato, em razão de sua dedicação à campanha de Roberto Cláudio ao Governo do Ceará.

Com isso, a convocação alcançou Júlio Ventura, então segundo suplente, que tomou posse no Senado Federal e passou a representar o Ceará durante o período de afastamento de Cid.

A trajetória transformou sua posição na chapa.

Deixou de ser apenas um nome da linha sucessória para tornar-se um suplente com experiência efetiva no exercício do mandato parlamentar.

Continuidade e renovação

A composição anunciada para 2026 combina duas estratégias.

Na primeira suplência, Cid promove renovação ao incorporar o deputado federal Júnior Mano.

Na segunda, preserva a continuidade representada por Júlio Ventura, aliado político que acompanhou o grupo em diferentes momentos da reorganização partidária e que já respondeu pela representação do Ceará no Senado.

É um desenho que renova a primeira linha sucessória sem abrir mão da experiência acumulada na segunda.

A importância das suplências

As suplências costumam receber pouca atenção durante as campanhas eleitorais.

Na prática, porém, são elas que garantem a continuidade da representação dos estados sempre que um senador se licencia, assume cargo no Executivo ou deixa definitivamente o mandato.

O Ceará oferece exemplos recentes dessa dinâmica.

No próprio Senado, Prisco Bezerra assumiu a cadeira de Cid Gomes em 2019. Em 2022, foi a vez de Júlio Ventura exercer o mandato durante a licença de 121 dias do senador.

Na cadeira ocupada por Camilo Santana antes de assumir o Ministério da Educação, Augusta Brito e Janaína Farias também chegaram ao Senado como suplentes em momentos distintos.

A sucessão, portanto, está longe de ser uma formalidade burocrática. É um mecanismo que frequentemente altera a representação política do Estado ao longo do mandato.

Quem é Júlio Ventura

Empresário do setor automotivo, Júlio Ventura Neto construiu sua trajetória empresarial à frente de um dos maiores grupos de concessionárias do Ceará.

Ingressou na política ao lado de Cid Gomes e integrou a chapa eleita ao Senado em 2018 como segundo suplente.

Em 2022, exerceu o mandato por quatro meses e consolidou uma relação política que agora se renova com sua permanência na composição da candidatura à reeleição.

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A permanência de Júlio Ventura mostra que a composição das suplências também comunica estratégia.

Enquanto a primeira suplência foi renovada com Júnior Mano, a manutenção de Júlio preserva um quadro que já passou pelo teste mais importante possível: o exercício efetivo do mandato.

Há uma ironia política nessa trajetória.

Em 2022, a cadeira chegou a Júlio Ventura porque Prisco Bezerra optou por permanecer na campanha do irmão, Roberto Cláudio, ao Governo do Ceará.

Quatro anos depois, Roberto Cláudio volta ao centro da disputa estadual, agora como candidato a vice-governador na chapa de Ciro Gomes, adversário de Cid.

As eleições mudam as alianças e reorganizam os palanques.

Mas mostram também que, no Senado, uma suplência raramente é apenas uma formalidade. Ela pode ser o caminho efetivo para o exercício do mandato — e a história recente da representação cearense demonstra isso.

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