Mercado Financeiro

Uso de IA chega a 92% das instituições financeiras, mas só 6% transformam seus modelos de negócios

Por Redação - Em 08/08/2026 às 12:01 AM

Bancos, Tecnologia Bancária, Fintech, Inteligência Artificial Foto Freepik

A aplicação da tecnologia é mais intensa em áreas com elevado volume de processos e análise de dados. O back office lidera a utilização, presente em 74% das instituições FOTO: Magnific

A inteligência artificial já faz parte da rotina de 92% das instituições financeiras brasileiras, mas seu uso ainda está concentrado em ganhos de eficiência operacional. Pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostra que apenas 6% das empresas utilizam a tecnologia para transformar seus modelos de negócios, evidenciando que o setor ainda explora mais o potencial de produtividade do que o de inovação.

O levantamento da Anbima, realizado entre janeiro e abril de 2026 com 177 instituições financeiras e apoio do Datafolha, revela que a adoção da inteligência artificial se tornou praticamente universal no mercado financeiro brasileiro. Os dados foram apresentados durante o Rio Innovation Week pelo líder de Inovação da entidade, Marcelo Billi.

Segundo a pesquisa, 84% das instituições participaram de alguma iniciativa relacionada à inteligência artificial nos últimos 12 meses. Os principais investimentos estiveram concentrados em projetos exploratórios (69%) e em programas de capacitação e produção de conteúdos (65%), indicando que muitas empresas ainda estão em fase de amadurecimento da tecnologia.

Os benefícios mais percebidos estão ligados ao aumento da eficiência. Entre os entrevistados, 80% apontaram ganhos de produtividade, 75% citaram a automação de tarefas e 57% destacaram apoio à tomada de decisões e redução de riscos ou erros.

Apesar da ampla adoção, a pesquisa mostra que o uso estratégico da IA ainda é limitado. Apenas 17% das instituições afirmaram utilizar a tecnologia para desenvolver novos produtos e serviços, enquanto 14% enxergam vantagem competitiva gerada pela inteligência artificial. Somente 6% disseram que a IA já promove mudanças estruturais em seus modelos de negócios.

A aplicação da tecnologia é mais intensa em áreas com elevado volume de processos e análise de dados. O back office lidera a utilização, presente em 74% das instituições, seguido por análise de investimentos (56%), compliance regulatório (44%), gestão de riscos (36%), operações (33%), marketing e vendas (17%), atendimento ao cliente (15%) e recursos humanos (15%).

Outro dado revela um desafio importante para o setor: embora 93% das instituições reconheçam que a inteligência artificial gera valor para os negócios, apenas 15% conseguem mensurar esse impacto de forma estruturada. Enquanto isso, 43% ainda avaliam os resultados com base apenas em percepções informais, sem indicadores objetivos.

A pesquisa também indica que a resistência à adoção da tecnologia não é um obstáculo relevante para a maioria das empresas. 54% dos entrevistados afirmaram não identificar barreiras significativas, e, quando elas existem, estão relacionadas principalmente à falta de conhecimento e à desconfiança sobre a ferramenta, mais do que ao receio de substituição de empregos.

Na frente de qualificação, o levantamento aponta espaço para evolução. Apenas 13% das instituições declararam possuir uma estratégia consolidada de capacitação em inteligência artificial, sinalizando que o desenvolvimento de competências deverá ser um dos próximos desafios para ampliar o uso estratégico da tecnologia no sistema financeiro brasileiro.

Mais notícias

Ver tudo de IN Business