MERCADO GLOBAL

Berkshire recompra US$ 4,5 bilhões em ações e investe quase US$ 20 bilhões no trimestre

Por Redação - Em 10/08/2026 às 9:10 AM

Berkshire Hathaway

Sob o comando de Greg Abel, conglomerado reduziu reserva de caixa para US$ 365,5 bilhões e registrou crescimento de 16% no lucro operacional

A Berkshire Hathaway intensificou a utilização de sua reserva bilionária de recursos no segundo trimestre de 2026. O conglomerado recomprou cerca de US$ 4,5 bilhões em ações próprias e adquiriu quase US$ 20 bilhões em papéis de outras empresas entre abril e junho, em um dos primeiros sinais da estratégia de alocação de capital adotada por Greg Abel à frente da companhia.

O movimento ocorre em um momento de transição para a empresa construída ao longo de décadas sob a liderança de Warren Buffett. Abel assumiu o comando executivo no início de 2026, enquanto Buffett permanece como presidente do conselho.

A recompra de ações havia sido retomada no primeiro trimestre, depois de mais de um ano sem operações desse tipo. A estratégia ganhou força nos três meses seguintes e resultou na maior distribuição trimestral de capital aos acionistas desde 2021.

Com os novos investimentos e recompras, a reserva de caixa da Berkshire recuou de aproximadamente US$ 397 bilhões para US$ 365,5 bilhões no segundo trimestre. Mesmo após a redução, o volume mantém a companhia com uma das maiores posições de liquidez do mercado corporativo mundial.

Lucro operacional chega a quase US$ 13 bilhões

Os resultados operacionais também avançaram. O lucro operacional da Berkshire cresceu 16% no segundo trimestre, alcançando quase US$ 13 bilhões.

O desempenho recebeu contribuição dos negócios de manufatura, serviços e varejo, além das operações de utilities. O conglomerado reúne empresas de diferentes segmentos, incluindo seguros, transporte ferroviário, energia e indústria, o que faz de seus resultados um indicador acompanhado pelo mercado sobre o desempenho de diferentes áreas da economia norte-americana.

O lucro líquido, que inclui oscilações da carteira de investimentos, mais que dobrou e chegou a US$ 25,67 bilhões, enquanto a receita avançou cerca de 10%, para US$ 101,81 bilhões.

Nem todas as áreas, porém, registraram crescimento. A Geico, operação de seguros da Berkshire, apresentou queda de 45% no lucro de subscrição no período.

Alphabet recebe investimento de US$ 10 bilhões

A movimentação da carteira também chama atenção pela dimensão das operações realizadas. A Berkshire destinou US$ 10 bilhões à Alphabet, controladora do Google, em meio à expansão dos investimentos da companhia de tecnologia em inteligência artificial.

Com a operação, a Alphabet passou a figurar entre as cinco maiores posições da carteira da Berkshire ao fim do segundo trimestre, ocupando o espaço anteriormente pertencente à Chevron.

A entrada em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo representa ainda uma exposição maior a um segmento que historicamente teve participação limitada na carteira construída pela Berkshire.

Além das movimentações no mercado acionário, a companhia avançou em aquisições. A Berkshire desembolsou US$ 6,8 bilhões para comprar a construtora Taylor Morrison Home. A conclusão da transação ocorreu no terceiro trimestre e, por isso, ainda não aparece integralmente nos números referentes ao período encerrado em junho.

Nova fase na alocação de capital

A combinação entre recompra de ações, aquisição de participações e compra de empresas marca uma mudança relevante no uso do caixa acumulado pela Berkshire nos últimos anos.

Durante a fase final da gestão executiva de Buffett, a companhia manteve postura mais cautelosa diante das avaliações elevadas de empresas no mercado. A consequência foi o crescimento da liquidez disponível e a redução das grandes aquisições.

Sob Abel, os primeiros meses apontam para maior disposição em utilizar esses recursos. Somando apenas os US$ 4,5 bilhões em recompras, os quase US$ 20 bilhões destinados à compra de ações e os US$ 6,8 bilhões da aquisição da Taylor Morrison, as movimentações anunciadas envolvem dezenas de bilhões de dólares.

Apesar disso, os US$ 365,5 bilhões ainda mantidos em caixa mostram que a Berkshire conserva ampla capacidade financeira para novas operações. O ritmo de utilização dessa reserva deverá ser um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado na nova fase do conglomerado.

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