Gestão de ativos
Iguatemi levanta R$ 876 milhões com venda de participações em cinco shoppings
Por Redação - Em 10/08/2026 às 12:03 PM

A reação inicial dos investidores foi positiva. Por volta das 10h16 desta segunda-feira, as ações da companhia avançavam 1,64%, negociadas a R$ 24,73
A Iguatemi acertou a venda de participações minoritárias em cinco shopping centers por R$ 876,1 milhões, em uma operação que chamou a atenção do mercado pelo tamanho do negócio e pelo impacto esperado sobre a estrutura financeira da companhia. O valor corresponde a aproximadamente 12% do valor de mercado da empresa, segundo avaliação do Bradesco BBI.
A transação foi acertada com o TRX Real Estate FII (TRXF11) e considera um cap rate médio de 7,3%. Mesmo com a alienação das participações, a Iguatemi continuará com o controle operacional dos empreendimentos.
A reação inicial dos investidores foi positiva. Por volta das 10h16 desta segunda-feira (10), as ações da companhia avançavam 1,64%, negociadas a R$ 24,73.
Um dos números que ajudam a dimensionar a operação está na comparação com o plano de investimentos da Iguatemi. De acordo com o Bradesco BBI, os recursos obtidos com a venda são suficientes para cobrir quase 60% do Capex estimado para 2026 e 2027.
Na avaliação do banco, a transação permite à companhia liberar capital sem abrir mão do controle operacional dos cinco ativos. A operação também amplia os recursos disponíveis para financiar novos investimentos e reforçar a estratégia de gestão do portfólio.
O BTG Pactual calculou a dimensão da venda por outra métrica. Para o banco, os R$ 876,1 milhões correspondem a aproximadamente 10% do Enterprise Value (EV), indicador que considera o valor da empresa incluindo sua dívida líquida.
Os ativos envolvidos na negociação também apresentam NOI por metro quadrado abaixo da média do portfólio da Iguatemi, segundo os analistas do BTG.
Outro indicador observado pelo mercado é o nível de endividamento. A Iguatemi mantém sua alavancagem abaixo de duas vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda.
Nesse contexto, a venda das participações reforça uma estratégia de reciclagem de capital: a empresa transforma parcelas de ativos existentes em recursos para financiar sua expansão sem pressionar de forma significativa o endividamento.
O Citi também avaliou a transação positivamente, destacando as condições financeiras do negócio e o avanço dessa estratégia.
Bancos projetam ações entre R$ 25 e R$ 34
A operação também repercutiu nas avaliações sobre as ações da Iguatemi. O BTG Pactual manteve recomendação de compra para IGTI11 e preço-alvo de R$ 25.
Segundo o banco, os papéis estão sendo negociados em aproximadamente nove vezes o P/FFO projetado para 2027, múltiplo que relaciona o preço das ações à geração de recursos das operações imobiliárias.
O Bradesco BBI apresenta uma projeção mais elevada. A instituição também recomenda a compra dos papéis, mas estabelece preço-alvo de R$ 34.
Considerando a cotação de R$ 24,73 registrada na manhã desta segunda-feira, o preço projetado pelo BBI representa uma diferença de aproximadamente 37% em relação ao valor negociado naquele momento.
A combinação entre os R$ 876,1 milhões levantados, a cobertura de quase 60% dos investimentos previstos para dois anos e a manutenção da alavancagem abaixo de duas vezes ajuda a explicar a recepção positiva da operação. Mais do que reduzir participações em cinco empreendimentos, a Iguatemi transforma parte de seu portfólio em capital para financiar os próximos movimentos da companhia.
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