ESTUDO SOBRE O PIB
Economia do Ceará deve crescer com a força dos serviços e indústria até 2027
Por Marcelo Cabral - Em 11/08/2026 às 12:18 PM
A economia cearense deve manter uma trajetória de crescimento moderado nos próximos anos, acompanhando o ritmo projetado para o Brasil e o Nordeste. É o que aponta estudo do Departamento Econômico do Santander, que prevê avanço do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado de 1,6% em 2026 e 1,2% em 2027, sustentado principalmente pelo desempenho dos setores de serviços e indústria.

Setor de serviços tem a maior participação na composição do PIB do Ceará Foto: Portal IN
O levantamento reúne dados do PIB regional divulgados pelo IBGE até 2023 e projeções para o período entre 2024 e 2027. Para o Nordeste, a expectativa é de crescimento semelhante ao cenário nacional, com alta estimada de 1,6% em 2026 e 1% em 2027. No Brasil, as projeções indicam avanço de 1,8% neste ano e 1% no próximo.
Com participação de 59,4% na composição do PIB cearense em 2023, o setor de serviços aparece como principal vetor da economia estadual. A previsão é de crescimento de 2,1% este ano e 1,3% no ano que vem, desempenho superior às médias regional e nacional em determinados períodos.
“O setor de serviços, que possui a maior participação na economia da região, deve apresentar alguma desaceleração à frente. A dinâmica dos serviços prestados às famílias continua sendo importante para o Nordeste. Vemos variações positivas e alinhadas com o agregado nacional nos próximos anos, com destaques regionais recentes nos serviços para o Ceará, Piauí e Maranhão. O mercado de trabalho robusto vem ajudando, embora a restrição nas condições financeiras tenha impactado o setor”, aponta Henrique Danyi, economista do Santander.
Indústria em trajetória de expansão

Segmento industrial também auxiliará a expansão do PIB cearense
Além dos serviços, a indústria também deve ser um dos pilares da perspectiva positiva para o Ceará. Segundo o estudo, o setor deve crescer 1,4% em 2026 e 1,5% em 2027. Apesar de desafios enfrentados pela indústria de transformação em algumas regiões, o estudo destaca a resiliência do setor nordestino, com avanço da atividade industrial em estados como Ceará, Pernambuco e Bahia.
“A indústria tem mantido taxas de crescimento positivas no Nordeste, destaque do setor entre as regiões. Apesar do fechamento de plantas na região terem impactado a indústria de transformação, o setor segue mostrando resiliência com a atividade ampla seguindo em expansão no Ceará, Pernambuco e Bahia. Perspectiva para 2026 é favorável, com impulso na demanda no geral no Nordeste”, destaca Rodolfo Pavan, economista do Santander e um dos autores do estudo.
Agropecuária deve passar por acomodação
O único segmento com previsão de retração no Ceará é o agropecuário. Após uma expectativa de forte recuperação em 2025, com crescimento projetado de 25,6%, o setor deve apresentar recuos de 4% em 2026 e 1% em 2027. O movimento acompanha uma acomodação após uma safra considerada excepcional, conforme explica Pavan. “Estimamos que a agropecuária do Nordeste tenha apresentado forte expansão em 2025, na esteira da safra recorde. Para os anos seguintes, projetamos variações mais moderadas”, afirma.
De acordo com o levantamento, o cenário econômico regional continuará influenciado por fatores nacionais, como condições financeiras, mercado de trabalho e demanda interna. Entre os principais riscos para as projeções estão os eventos climáticos, especialmente a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, que pode alterar padrões de chuva e temperatura e impactar atividades produtivas. Mesmo diante desses desafios, a avaliação do Santander é de que o Ceará deverá seguir com crescimento positivo, apoiado pela diversificação da economia e pela capacidade de expansão dos setores de serviços e indústria.
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