COMPORTAMENTO
Canetas emagrecedoras mudam consumo e Track&Field registra avanço de tamanhos menores
Por E.V.B - Em 18/08/2026 às 10:16 AM
A expansão do uso das chamadas canetas emagrecedoras já começa a produzir reflexos fora do setor de saúde. Na Track&Field, uma das principais marcas brasileiras de moda esportiva, a companhia identificou uma migração nas vendas para peças de tamanhos menores, movimento observado tanto entre consumidores do público feminino quanto masculino.
Segundo Fernando Tracanella, CEO da Track&Field, a participação das numerações menores na grade vem aumentando. Embora a empresa ainda não divulgue dados específicos sobre essa mudança, o executivo associa o fenômeno ao crescimento da utilização de medicamentos análogos de GLP-1, classe que reúne tratamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.A percepção ganha relevância diante do perfil de clientes da marca, fortemente posicionada entre consumidores de maior poder aquisitivo — justamente um público com maior acesso aos tratamentos, cujos custos mensais podem superar R$ 2 mil nas doses mais elevadas. Tracanella, no entanto, trata essa relação como uma hipótese a partir do comportamento observado nas lojas.
WELLNESS ALÉM DO VESTUÁRIO
A mudança ocorre em meio à estratégia da Track&Field de ampliar sua presença no universo de bem-estar. A companhia possui 448 lojas no Brasil e em Portugal e vem agregando produtos e serviços que acompanham a rotina de consumidores ligados ao esporte, alimentação e qualidade de vida.
Uma das iniciativas é a TFC Food & Market, operação dedicada a alimentos saudáveis e suplementação presente em 17 lojas, além de uma unidade no escritório da empresa. No segundo trimestre, as vendas desse formato avançaram 34,8%, enquanto o número de clientes atendidos cresceu 29,2%.
Segundo Tracanella, lojas reformadas que passaram a contar com a TFC Food & Market tiveram desempenho 15 pontos percentuais superior ao de unidades reformadas sem a operação. A expansão, entretanto, segue de forma seletiva, considerando fatores como tamanho da loja, fluxo de consumidores e visibilidade. Fortaleza está entre as capitais que já contam com o formato.
Os suplementos já representam aproximadamente um quarto das vendas da TFC Food & Market. A estratégia da companhia, porém, não contempla a fabricação própria desses produtos. A ideia é manter a curadoria de marcas parceiras, que também podem ser comercializadas pelo TF Mall, marketplace da Track&Field que encerrou junho com 36 marcas ativas.
NEGÓCIO EM EXPANSÃO
A transformação no comportamento do consumidor acontece em um momento de crescimento da companhia. No segundo trimestre de 2026, a Track&Field registrou receita líquida de R$ 279,7 milhões, avanço de 15,5% na comparação com igual período do ano anterior.
O Ebitda chegou a R$ 65,6 milhões, crescimento de 15,9%, com margem de 23,5%. Já o lucro líquido ajustado alcançou R$ 44,3 milhões, alta anual de 8,2%. Ao fim de junho, a empresa possuía caixa líquido de R$ 50,3 milhões.
A expansão física também permanece como um dos vetores do negócio. Nos últimos 12 meses, foram abertas 42 lojas, e a rede encerrou junho com 448 unidades. Paralelamente, a plataforma TFSports ultrapassou 1,4 milhão de usuários e realizou 1.282 eventos somente no segundo trimestre, reunindo mais de 162 mil inscritos.
Em um mercado esportivo cada vez mais disputado, a Track&Field busca ampliar seu ecossistema em torno do wellness, combinando moda, eventos, alimentação e serviços. A crescente procura por tamanhos menores surge agora como mais um sinal de como novos hábitos relacionados à saúde e ao emagrecimento começam a alterar também a dinâmica do varejo.

Fernando Tracanella, Ceo Da Track & Field.png
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