EXPANSÃO GLOBAL

Geely eleva exportações em 23% e prepara produção de elétricos no Brasil

Por Redação - Em 18/08/2026 às 4:33 PM

Geely (4)

lucro líquido da Geely cresceu 36% no segundo trimestre, alcançando 4,9 bilhões de yuans, equivalentes a cerca de US$ 727 milhões, em linha com as expectativas dos analistas

A Geely acelera sua internacionalização para reduzir a dependência do mercado chinês e prepara o Brasil para ocupar uma posição mais relevante nessa estratégia. Depois de mais que dobrar as exportações no primeiro semestre, a montadora elevou em 23% sua meta de vendas externas para 2026, para 920 mil veículos, ao mesmo tempo em que avança nos planos de produção local de modelos eletrificados.

O movimento ocorre enquanto a indústria automobilística chinesa atravessa um período de retração doméstica e forte competição por preços. Nos seis primeiros meses do ano, as vendas de automóveis na China recuaram 20%, e a Associação de Veículos de Passageiros projeta queda de 14% no acumulado de 2026.

Para a Geely, a resposta tem sido buscar consumidores além das fronteiras chinesas. A companhia exportou 474.228 veículos entre janeiro e junho, mais que o dobro do registrado no mesmo período anterior. O avanço levou a empresa a revisar para cima a meta anual de embarques internacionais.

A estratégia internacional ganhou respaldo nos resultados financeiros. O lucro líquido da Geely cresceu 36% no segundo trimestre, alcançando 4,9 bilhões de yuans, equivalentes a cerca de US$ 727 milhões, em linha com as expectativas dos analistas.

No primeiro semestre, entretanto, o resultado acumulado caiu 1,8%, para 9,09 bilhões de yuans, ainda acima das projeções do mercado. Após a divulgação dos números, as ações da companhia avançaram 4,8% na Bolsa de Hong Kong.

A expansão internacional também coloca a empresa em uma disputa cada vez mais intensa com outras fabricantes chinesas. A BYD, principal referência global entre as montadoras do país no segmento de eletrificados, vendeu mais de 812,7 mil automóveis no exterior no primeiro semestre, quase o dobro do volume registrado pela Geely.

A diferença evidencia um dos desafios da companhia. Embora disponha de um portfólio de elétricos e híbridos, a Geely avançou de maneira mais lenta na construção de uma rede internacional de distribuição e agora tenta recuperar terreno.

Brasil entra na estratégia de produção

O Brasil será uma das bases dessa expansão. A Geely planeja produzir localmente o EX5, crossover compacto elétrico, e o EX2, hatch elétrico conhecido como Xingyuan no mercado chinês. A fabricação será realizada por meio da parceria com a Renault.

A aproximação entre as duas montadoras prevê o uso da estrutura industrial e comercial da fabricante francesa no País. O complexo Ayrton Senna, da Renault, no Paraná, foi definido como base para a produção de novos veículos das empresas.

Para a Geely, produzir no Brasil significa ir além de uma estratégia baseada exclusivamente na importação de veículos chineses. A fabricação local pode ampliar sua capacidade de competir em preço e escala, além de aproximar a marca de um dos maiores mercados automobilísticos da América Latina.

O movimento ocorre em um momento de avanço das fabricantes chinesas no País, que vêm ampliando investimentos, redes comerciais e projetos industriais para disputar espaço com grupos tradicionalmente estabelecidos no mercado brasileiro.

Geely também muda comando

A expansão internacional coincide com uma mudança importante na governança do grupo. Li Shufu deixará a presidência do conselho da Geely Auto e assumirá o posto de presidente honorário vitalício. Ele continuará à frente da controladora Zhejiang Geely Holding Group, preservando influência sobre o conglomerado automotivo.

A reorganização permitirá ao empresário dedicar mais tempo aos demais negócios e ao planejamento sucessório do grupo, que construiu nas últimas décadas uma presença global por meio de marcas e participações em diferentes fabricantes.

Paralelamente, a Geely busca ampliar a rentabilidade de seu portfólio. A Zeekr, sua marca de posicionamento mais sofisticado, vem contribuindo para elevar o tíquete dos veículos vendidos. O SUV 9X tornou-se líder na China entre os automóveis acima de 500 mil yuans, enquanto o preço médio dos carros comercializados pela companhia avançou em 15 mil yuans, para 112 mil yuans.

Com a demanda chinesa mais fraca, a combinação entre exportações, produção internacional e veículos de maior valor agregado ganha peso na próxima etapa da Geely. Nesse mapa, o Brasil passa de mercado consumidor a plataforma industrial, inserindo o País diretamente na disputa das montadoras chinesas por escala global.

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