Negócios globais
HSBC amplia receita com clientes brasileiros em 37% e aposta na rota comercial com a China
Por Redação - Em 19/08/2026 às 2:51 PM

Embora tenha vendido sua operação de varejo no Brasil ao Bradesco em 2016, o HSBC manteve presença no País direcionada principalmente a clientes corporativos e institucionais
O avanço das relações comerciais entre Brasil e Ásia abriu uma nova frente de crescimento para o HSBC. A receita do banco com clientes brasileiros, considerando também operações contabilizadas no exterior, cresceu 37% no primeiro semestre de 2026, depois de já ter avançado 20% no ano passado. O desempenho reforçou a estratégia da instituição de usar sua presença internacional para capturar negócios gerados pelos fluxos entre empresas brasileiras e asiáticas, sobretudo chinesas.
Embora tenha vendido sua operação de varejo no Brasil ao Bradesco em 2016, o HSBC manteve presença no País direcionada principalmente a clientes corporativos e institucionais. Uma década depois, essa estrutura encontra no comércio exterior uma das principais alavancas para ganhar escala.
O movimento ocorre em um momento de fortalecimento das conexões econômicas com a China, principal parceiro comercial brasileiro. Para o HSBC, a combinação entre exportações de commodities, importações de produtos asiáticos e investimentos de empresas estrangeiras cria oportunidades que vão além das operações tradicionais de crédito.
A estratégia passa por ocupar o espaço entre companhias que precisam movimentar capital, financiar exportações e importações, realizar operações cambiais ou estruturar investimentos em diferentes mercados.
O CEO do HSBC Brasil, Gilberto Guião, afirmou à Bloomberg Línea que tanto as exportações brasileiras quanto as importações provenientes da Ásia vêm apresentando crescimento significativo. A intenção do banco é ampliar sua participação justamente como facilitador dessas conexões internacionais.
Essa característica diferencia a atuação atual do HSBC daquela mantida antes da venda da subsidiária brasileira. Em vez de disputar escala no varejo bancário doméstico, a instituição concentra esforços em segmentos nos quais sua rede internacional pode funcionar como vantagem competitiva.
Para empresas brasileiras com operações no exterior, isso significa acesso à estrutura de um grupo financeiro presente em diferentes mercados. Para companhias asiáticas interessadas no Brasil, a mesma rede pode servir de porta de entrada para operações financeiras no País.
Comércio exterior impulsiona estratégia
O cenário ajuda a explicar o ritmo de expansão registrado pelo banco. Depois do crescimento de 20% na receita proveniente de clientes brasileiros em 2025, a alta adicional de 37% apenas nos primeiros seis meses de 2026 indica que as operações internacionais ganharam peso dentro da estratégia local.
A aposta brasileira também está alinhada ao posicionamento global do HSBC. O banco obtém parcela relevante de seus resultados na Ásia e vem reforçando negócios nos mercados considerados estratégicos. Em fevereiro, a instituição informou lucro antes de impostos de US$ 29,9 bilhões em 2025, acima dos US$ 28,9 bilhões projetados por analistas, e estabeleceu como objetivo alcançar retorno sobre o patrimônio tangível de pelo menos 17% entre 2026 e 2028.
No Brasil, o crescimento do comércio com a China oferece ao banco uma oportunidade de conectar duas áreas nas quais já possui relacionamento e infraestrutura. O resultado é uma operação menor em presença física do que aquela existente antes de 2016, mas posicionada para capturar negócios de maior complexidade e alcance internacional.
A expansão de 37% no semestre mostra que a estratégia começa a ganhar escala. Para o HSBC, o próximo passo é transformar o aumento do intercâmbio entre Brasil e Ásia em uma fonte ainda maior de receitas — justamente em um terreno no qual sua presença global pode representar uma vantagem diante dos concorrentes domésticos.
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