Meios de pagamento

Cartões movimentam R$ 2,3 trilhões, mas débito perde espaço no Brasil

Por Redação - Em 19/08/2026 às 3:50 PM

Cartãod E Crédito Visa Foto Pixabay

O cartão de crédito respondeu sozinho por R$ 1,7 trilhão, com crescimento de 12,1% em um ano FOTO: Pixabay

O mercado brasileiro de cartões movimentou R$ 2,3 trilhões no primeiro semestre de 2026, mas o crescimento do setor veio acompanhado de uma mudança na forma como o consumidor distribui seus pagamentos. Enquanto o crédito avançou dois dígitos e consolidou sua liderança, o débito perdeu espaço e as transações por aproximação chegaram à marca de R$ 1 trilhão.

Os dados divulgados nesta quarta-feira (19) pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostram que o volume total transacionado aumentou 8% na comparação com os seis primeiros meses de 2025.

O cartão de crédito respondeu sozinho por R$ 1,7 trilhão, com crescimento de 12,1% em um ano. Já o débito movimentou R$ 481,6 bilhões, queda de 1,8%, enquanto os cartões pré-pagos ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,5%, para R$ 191,1 bilhões.

A diferença entre as modalidades também aparece na quantidade de pagamentos. Os brasileiros realizaram 23,9 bilhões de transações com cartões entre janeiro e junho, crescimento de 3%. Na prática, foram aproximadamente 133 milhões de operações por dia.

O crédito contabilizou 11,1 bilhões de transações, 7,4% acima do registrado um ano antes. No débito, houve recuo de 0,8%, para 8,1 bilhões de operações. Os cartões pré-pagos registraram 4,6 bilhões de pagamentos, redução de 0,3%.

Os números indicam que o crescimento financeiro do mercado foi superior ao avanço na quantidade de operações. Além disso, mostram uma concentração cada vez maior do crescimento no cartão de crédito, enquanto o débito encontra dificuldades para acompanhar a expansão do setor.

Ritmo desacelera no 2º trimestre

Apesar do resultado positivo no semestre, os dados mais recentes mostram perda de velocidade. Entre abril e junho, foram movimentados R$ 1,2 trilhão, crescimento de 7,7% sobre o segundo trimestre de 2025. Nos três primeiros meses do ano, a expansão havia sido de 8,3%.

Novamente, o crédito sustentou o desempenho. A modalidade movimentou R$ 846,3 bilhões no segundo trimestre, alta anual de 11,4%.

O débito caiu 1,2%, para R$ 245,6 bilhões, enquanto o pré-pago teve avanço discreto de 0,2%, alcançando R$ 96,8 bilhões.

Segundo o presidente da Abecs, Giancarlo Greco, a desaceleração acompanha sinais de menor dinamismo da economia e uma deterioração da confiança do consumidor. Os próprios emissores também adotaram uma postura mais cautelosa na concessão de limites e na oferta de produtos.

Pagamentos por aproximação

Se o crescimento geral perdeu velocidade, uma tecnologia continua avançando rapidamente. Os pagamentos por aproximação movimentaram R$ 1 trilhão somente no primeiro semestre, alta de 18,5% em relação ao mesmo período de 2025.

A modalidade já responde por 76,2% das transações presenciais realizadas com cartões no País, consolidando uma mudança que ganhou escala nos últimos anos com a disseminação de cartões contactless, celulares e outros dispositivos habilitados para pagamentos.

A expectativa da Abecs é de continuidade desse avanço, aumentando ainda mais a participação da aproximação nas compras presenciais.

A associação também apresentou pela primeira vez dados sobre o chamado trilho voucher, infraestrutura desenvolvida para pagamentos realizados com cartões de benefícios.

A modalidade movimentou R$ 788 milhões no primeiro semestre, distribuídos por quase 9 milhões de transações. O tíquete médio ficou em R$ 88.

Por se tratar da primeira divulgação desse indicador, ainda não há uma base histórica que permita calcular a evolução em relação ao ano anterior.

A expectativa do setor é de uma atividade mais forte na segunda metade de 2026. Historicamente, o período concentra datas relevantes para o varejo e maior volume de consumo das famílias, especialmente nos últimos meses do ano.

A Abecs, no entanto, ainda avaliará se essa recuperação será suficiente para preservar sua projeção de crescimento de 9,5% a 11,5% no volume movimentado por cartões em 2026.

O desempenho dos primeiros seis meses deixa dois movimentos claros para o restante do ano. De um lado, o cartão permanece central no consumo brasileiro, com trilhões de reais movimentados e mais de uma centena de milhões de pagamentos diários. Do outro, o crescimento tornou-se menos homogêneo: crédito e aproximação avançam rapidamente, enquanto o débito perde participação e a expansão geral começa a desacelerar.

Mais notícias

Ver tudo de IN Business