MERCADO DE CAPITAIS
Shein adia IPO em Hong Kong e avaliação despenca para cerca de US$ 25 bilhões
Por Redação - Em 20/08/2026 às 4:08 PM

O crescimento da receita, que chegou a 41,1% em 2023, desacelerou para 8% em 2025 e ficou em apenas 1,1% no primeiro trimestre de 2026
A Shein adiou mais uma vez sua aguardada estreia na Bolsa e se prepara para chegar ao mercado valendo uma fração do que alcançou no auge da expansão global. O grupo de fast fashion postergou o IPO em Hong Kong, inicialmente esperado para 28 de agosto, para o início de setembro, enquanto trabalha com uma avaliação próxima de US$ 25 bilhões.
A redução é expressiva diante dos US$ 98,2 bilhões atribuídos à companhia em uma rodada privada de investimentos em 2022. Na prática, o valor pretendido atualmente representa aproximadamente um quarto daquele patamar e evidencia como a combinação de crescimento mais lento, aumento de custos e pressão regulatória mudou a percepção dos investidores sobre a varejista.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a faixa considerada para a oferta está entre US$ 25 bilhões e US$ 28 bilhões. A Shein pode colocar até 8% de suas ações no mercado e levantar aproximadamente US$ 2 bilhões com a operação.
Crescimento perde velocidade
O reposicionamento da avaliação ocorre depois de anos de expansão acelerada que transformaram a Shein em uma das maiores forças globais da moda de baixo custo. Esse ritmo, no entanto, perdeu intensidade. O crescimento da receita, que chegou a 41,1% em 2023, desacelerou para 8% em 2025 e ficou em apenas 1,1% no primeiro trimestre de 2026.
A companhia também registrou prejuízo líquido de US$ 99 milhões nos três primeiros meses deste ano. Em 2025, ainda havia contabilizado lucro líquido de US$ 2,06 bilhões.
Parte da pressão vem de mercados estratégicos. Mudanças nas regras comerciais dos Estados Unidos aumentaram os custos para produtos de baixo valor importados da China, enquanto a Europa também endurece a fiscalização sobre plataformas de comércio eletrônico e encomendas de pequeno valor. A Shein enfrenta ainda concorrência mais intensa e despesas maiores com logística e marketing.
IPO acumula mudanças de rota
A listagem em Hong Kong é mais um capítulo de uma longa tentativa da Shein de abrir seu capital. A empresa buscou inicialmente uma estreia nos Estados Unidos e, posteriormente, direcionou os esforços para Londres, mas encontrou obstáculos políticos e regulatórios nos dois mercados.
Agora, a expectativa é que a estreia em Hong Kong ocorra em 1º de setembro, embora a data ainda possa sofrer ajustes. Antes do adiamento, a negociação das ações estava prevista para começar em 28 de agosto.
A revisão para perto de US$ 25 bilhões transforma o IPO em um teste para a capacidade da Shein de convencer investidores de que ainda pode sustentar seu modelo de crescimento global. Depois de alcançar uma avaliação próxima de US$ 100 bilhões há quatro anos, a varejista chega ao mercado público diante de um cenário bem mais exigente, no qual crescimento, rentabilidade e riscos regulatórios passaram a pesar mais na conta.
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