CONTAS PÚBLICAS

Dívida pública do Brasil deve atingir 100% do PIB em 2027, projeta FMI

Por Redação - Em 21/08/2026 às 9:32 AM

Dinheiro Foto Agência Brasil

Depois de encerrar 2025 em 93,3% do PIB, a dívida deve avançar para 96,5% neste ano, atingir a marca de 100% em 2027 e chegar a 102,3% em 2028 FOTO: Agência Brasil

A trajetória das contas públicas brasileiras deve levar a dívida bruta do governo geral a alcançar o equivalente a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). O avanço coloca o Brasil entre as economias emergentes do G20 com maior pressão sobre o endividamento e amplia o desafio fiscal para os próximos anos.

As estimativas apontam para uma escalada contínua. Depois de encerrar 2025 em 93,3% do PIB, a dívida deve avançar para 96,5% neste ano, atingir a marca de 100% em 2027 e chegar a 102,3% em 2028. Mantida a trajetória projetada, o indicador alcançará 106,5% do PIB em 2031.

O cenário reflete uma combinação que pressiona a capacidade do país de estabilizar seu endividamento: juros elevados, déficits fiscais persistentes e crescimento econômico insuficiente para compensar o custo de financiamento da dívida.

Em 2025, o Brasil registrou déficit nominal equivalente a 8,1% do PIB. No mesmo período, o estoque da Dívida Pública Federal aumentou 18%, chegando a R$ 8,635 trilhões. Em junho deste ano, o montante já havia avançado para R$ 9,268 trilhões.

Juros ampliam pressão sobre as contas

O custo de carregamento da dívida é um dos principais pontos de atenção. Quanto maior a taxa exigida para financiar o governo, maior tende a ser o esforço fiscal necessário para impedir que o endividamento continue crescendo em proporção ao PIB.

Essa dinâmica ganha relevância em um ambiente de juros elevados. Além de pressionar as despesas financeiras do setor público, a percepção de deterioração fiscal pode aumentar as taxas cobradas nos títulos de longo prazo, encarecendo a rolagem da dívida mesmo diante de eventuais reduções dos juros de curto prazo.

O desafio, portanto, vai além do tamanho absoluto do passivo. A capacidade de produzir resultados primários consistentes, controlar despesas, ampliar a credibilidade da política fiscal e sustentar o crescimento econômico passa a determinar quanto espaço o país terá para administrar a dívida nos próximos anos.

Brasil tem dívida menor, mas custo mais alto

Embora a relação dívida/PIB brasileira seja inferior à observada em algumas das maiores economias do planeta, as condições de financiamento são diferentes.

O FMI estima que a dívida dos Estados Unidos chegue a aproximadamente 142% do PIB em 2031, enquanto a da China poderá alcançar 126,8%. O Brasil, no mesmo período, deve registrar 106,5%.

A diferença está nos amortecedores disponíveis para cada economia. Os Estados Unidos contam com o dólar como principal moeda de reserva internacional e com uma demanda estrutural por seus títulos públicos. A China, por sua vez, dispõe do peso de sua economia e de características próprias de financiamento. O Brasil opera com menor margem e custo elevado para sustentar seu passivo.

Nesse contexto, alcançar a marca de 100% do PIB funciona menos como um limite isolado e mais como um sinal da velocidade de deterioração do indicador. Sem melhora consistente do resultado fiscal, a tendência é que uma parcela crescente dos recursos públicos seja absorvida pelo financiamento do próprio endividamento, reduzindo a margem de atuação da política econômica.

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