TECNOLOGIA NACIONAL
Brasil investe R$ 2,3 bilhões em infraestrutura de IA e terá supercomputador entre os 10 maiores do mundo
Por Redação - Em 21/08/2026 às 2:44 PM

A iniciativa integra uma nova etapa do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê cerca de R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028
O Brasil prepara um salto em sua capacidade de processamento de inteligência artificial. Entre as iniciativas anunciadas pelo governo federal está a aquisição de um supercomputador de R$ 1 bilhão, projetado para figurar entre os dez mais potentes do mundo em processamento voltado à IA.
O equipamento será instalado no Rio Grande do Norte e deverá alcançar capacidade de até 7,2 exaflops, aproximadamente 266 vezes superior à do Santos Dumont, atualmente o supercomputador acadêmico mais potente do país. A previsão é de que a nova estrutura esteja operacional até o fim de 2027.
A iniciativa integra uma nova etapa do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê cerca de R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028. A estratégia busca ampliar a infraestrutura computacional disponível no país, estimular pesquisas e criar condições para o desenvolvimento de modelos nacionais de inteligência artificial.
O novo supercomputador deverá atender projetos científicos e tecnológicos e ampliar a capacidade brasileira para treinar modelos complexos de IA, atividade que demanda grande volume de processamento e hoje está concentrada principalmente em infraestruturas mantidas por grandes empresas e países líderes em tecnologia.
A instalação no Nordeste também adiciona uma dimensão regional à estratégia. O equipamento ficará no Parque Tecnológico Augusto Severo, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com gestão do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC). A expectativa é transformar a estrutura em um polo de processamento de alto desempenho para pesquisadores e projetos de inovação.
A capacidade anunciada representa uma mudança de escala em relação à atual infraestrutura brasileira. O PBIA previa originalmente a atualização do Santos Dumont e estabelecia como meta posicionar uma máquina brasileira entre as cinco maiores da lista mundial TOP500 em um horizonte de cinco anos.
Parceria com China amplia estratégia
O pacote não ficará restrito a um único equipamento. Outra frente receberá cerca de R$ 1,3 bilhão para uma infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro, desenvolvida em cooperação com as chinesas Huawei e iFlytek. A estratégia inclui desenvolvimento de grandes modelos de linguagem e aplicações específicas de IA.
A opção por projetos envolvendo fornecedores de diferentes países faz parte da tentativa brasileira de reduzir a dependência de uma única origem tecnológica. Enquanto a estrutura no Rio de Janeiro terá participação de empresas chinesas, a expectativa é de que o equipamento instalado no Rio Grande do Norte utilize tecnologia da norte-americana Nvidia.
A cooperação internacional também prevê formação profissional. Uma das metas anunciadas é capacitar milhares de brasileiros nos próximos anos para atuar no desenvolvimento e aplicação de inteligência artificial, ampliando a disponibilidade de mão de obra especializada no país.
Nuvem brasileira e chips entram no pacote
A infraestrutura computacional é apenas uma das frentes da estratégia. O governo também pretende estruturar uma nuvem brasileira para armazenamento e processamento de informações, em uma tentativa de manter dados estratégicos sob infraestrutura nacional e ampliar a autonomia tecnológica do país.
Outra iniciativa prevê recursos para o desenvolvimento de semicondutores com arquitetura aberta RISC-V. O projeto envolve o Instituto Eldorado, em Campinas, e cooperação internacional, buscando aumentar a participação brasileira em uma das etapas mais estratégicas da indústria tecnológica.
O pacote ainda inclui a criação de um Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, ligado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com investimento previsto de R$ 50 milhões. A estrutura deverá atuar em temas como auditoria de algoritmos, identificação de vieses e desenvolvimento responsável da tecnologia.
Ao combinar supercomputação, armazenamento de dados, semicondutores, formação profissional e governança algorítmica, o governo tenta construir uma cadeia nacional de inteligência artificial que vá além da adoção de ferramentas desenvolvidas no exterior. O desafio será transformar o aumento da capacidade computacional em pesquisa, produtos e serviços capazes de elevar a competitividade tecnológica brasileira.
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