Fluxo Migratório

A nova geografia do poder para os estadunidenses passa pelas cidades

Por Julia Fernandes Fraga - Em 27/02/2026 às 4:03 PM

Aerial View Of Famous Bridge In Porto,

Portugal tem sido um dos destinos mais buscados por quem emigra. Foto: Freepik

Uma reconfiguração da influência global começa a surgir fora dos canais tradicionais da geopolítica. Cresce o número de cidadãos norte-americanos — muitos deles profissionais qualificados e trabalhadores da economia digital — que optam por viver fora dos Estados Unidos.

Mais do que uma decisão de estilo de vida, esse movimento indica uma redistribuição gradual de capital humano, renda e capacidade produtiva.

Segundo dados citados pelo Wall Street Journal, cerca de 150 mil americanos deixaram o país no último ano. Hoje, estima-se que entre 4 milhões e 9 milhões vivam no exterior. O que está em curso não é apenas mobilidade — é reposicionamento.

Cidades entram na disputa

Europa e América Latina emergem como polos receptores. Portugal tornou-se um dos principais destinos, com crescimento expressivo da presença americana desde a pandemia. Espanha, Países Baixos e República Checa seguem tendência semelhante, enquanto o México permanece como principal destino nas Américas.

Ao atrair profissionais com renda internacional, esses territórios passam a importar capacidade de consumo, capital intelectual e redes de influência. Na prática, cidades passam a competir diretamente por talento global.

Poder além do território

O diferencial não está apenas na renda — ainda mais elevada nos EUA —, mas na combinação entre segurança, serviços públicos e previsibilidade institucional. Esse novo pacote transforma qualidade de vida em ativo estratégico de atração.

Com o trabalho remoto dissociando produtividade de localização, profissionais passam a gerar renda em economias centrais enquanto transferem consumo e investimento para outras geografias.

O que muda

O fenômeno não representa declínio imediato da influência americana, mas aponta para uma transição da centralização territorial e para a dispersão funcional do poder.

Cidades capazes de oferecer estabilidade e qualidade institucional passam a acumular não apenas riqueza — mas relevância. Atrair pessoas torna-se, cada vez mais, uma estratégia de poder.

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