Engenharia política
A vaga ao Senado virou o principal teste da base governista
Por Julia Fernandes Fraga - Em 24/06/2026 às 12:34 PM

O sinal dado por Elmano a Júnior Mano ocorreu em evento no município de Nova Russas, região de atuação do deputado. Fotos: Reprodução/Instagram
A indefinição sobre a candidatura ao Senado na chapa do governador Elmano de Freitas (PT) deixou de ser apenas uma disputa entre nomes e passou a representar um dos principais testes de coesão da aliança governista para 2026. Após meses de negociações, as declarações dadas nesta semana por Elmano e pelo deputado federal Júnior Mano (PSB) indicam que a decisão deve ficar para o período das convenções partidárias, entre o fim de julho e o início de agosto.
As falas ocorreram em agenda em Nova Russas, na terça-feira (23), tendo como pano de fundo a assinatura da ordem de serviço para a construção do Santuário de Nossa Senhora das Graças, empreendimento que aposta no fortalecimento do turismo religioso e na atração de visitantes para a região.
Sinais de que o impasse continua
Na agenda realizada em Nova Russas, município que concentra a principal base política de Júnior Mano, o governador evitou qualquer sinal de definição antecipada. Ao mesmo tempo, reforçou o prestígio do parlamentar dentro do grupo político ao afirmar que conta com ele “para o que topar” e destacar sua contribuição para o projeto governista.
O gesto ocorreu em meio à pressão de setores do PT pela candidatura à reeleição do senador Cid Gomes (PSB). O nome do pessebista é defendido por parte da base para ocupar uma das vagas ao Senado ao lado de Elmano. O senador Camilo Santana (PT) já manifestou publicamente a avaliação de que Cid não deveria ficar sem mandato.
Apesar disso, Júnior Mano mantém a condição de pré-candidato ao Senado e segue respaldado pelo compromisso político firmado por Cid Gomes. O senador tem reiterado que apoia o correligionário e que qualquer mudança de cenário dependeria de uma decisão do próprio deputado.
Alianças
Mais do que uma disputa interna do PSB, a negociação envolve o equilíbrio entre diferentes forças da coalizão governista. Enquanto Cid representa uma liderança consolidada e de alcance estadual, Júnior Mano aumentou influência nos últimos anos por meio da articulação com prefeitos e lideranças municipais, especialmente no interior do Estado.
Nos bastidores, a demora também reflete a “saia justa”: nenhuma das principais lideranças envolvidas demonstra disposição para assumir sozinha o custo político da decisão. Enquanto Cid mantém o compromisso firmado com Júnior Mano, o deputado evita confrontar diretamente o senador, e o PT busca construir uma solução negociada sem produzir ruídos na coalizão.
Nesse contexto, a estratégia de Elmano tem sido evitar qualquer movimento que possa ser interpretado como imposição ou veto. O governador aposta na construção de consenso e busca preservar a unidade da base, formada por partidos que terão papel decisivo tanto na campanha quanto na sustentação política de um eventual segundo mandato.
O que está em jogo
O desfecho da negociação deverá indicar não apenas quem ocupará a vaga ao Senado, mas também qual será o peso relativo das diferentes correntes que hoje sustentam a aliança liderada por Elmano de Freitas. Para além de uma escolha eleitoral, a definição tornou-se um termômetro da capacidade da base governista de administrar divergências e chegar unida à disputa de 2026.
- Elmano de Freitas e Júnior Mano
- Evento do Governo do Ceará em Nova Russas
- Evento do Governo do Ceará em Nova Russas
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