Migração partidária
Alece entra em pré-disputa de 2026 com oposição em reorganização interna
Por Julia Fernandes Fraga - Em 06/04/2026 às 2:05 PM

PSB e PT são as maiores bancadas. Foto: Junior Pio/Alece
A troca de partido de cerca de um terço dos deputados estaduais do Ceará, ao fim da janela partidária, revela reorganização formal combinada à montagem antecipada de forças para a disputa de 2026 — com a oposição já estruturando base dentro da Assembleia Legislativa.
Ao todo, 15 dos 46 parlamentares mudaram de sigla no período, redesenhando o equilíbrio interno da Casa e sinalizando novos alinhamentos políticos ainda durante a atual legislatura.
PSDB se consolida como eixo da oposição
O principal movimento foi a concentração de deputados no PSDB, partido comandado no Ceará por Ciro Gomes. A legenda saiu de uma única representante para sete parlamentares e passou a ocupar a terceira maior bancada da Alece.
A chegada de Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Sargento Reginauro, Felipe Mota, Queiroz Filho e Heitor Férrer não apenas amplia o tamanho da sigla, mas indica uma articulação coordenada para formação de base política em torno de um projeto de governo.
Base governista preserva controle
Apesar do crescimento oposicionista, o bloco governista mantém predominância. O PSB ampliou sua bancada e alcançou 11 deputados estaduais, consolidando-se como maior força da Casa, enquanto o PT manteve nove parlamentares, sem alterações.
A estabilidade das duas siglas indica manutenção da estrutura de apoio ao governo Elmano, mesmo diante da reorganização adversária.
Esvaziamento de siglas revela movimento tático
Três bancadas foram completamente esvaziadas: Avante, Cidadania e União Brasil. No caso do União, a saída de parlamentares para o PSDB reforça o caráter estratégico da migração e evidencia a reorganização da oposição em torno de um eixo comum.
O movimento reduz a dispersão partidária e concentra capital político em siglas com maior capacidade de disputa eleitoral.
Ajustes completam novo desenho
Outros partidos também reposicionaram suas bancadas. O MDB passou a contar com Apóstolo Luiz Henrique, enquanto o Republicanos recompôs seu quadro com Fernando Hugo e Stuart Castro.
O PL ampliou sua bancada para quatro deputados com a entrada de Lucinildo Frota; o PSD manteve três cadeiras após trocas internas; e o PDT evitou desaparecer ao garantir representação com Juliana Lucena.
O PV voltou a ter assento na Casa com João Jaime. O PP de Zezinho Albuquerque, o PSOL de Renato Roseno e o PCdoB de Alysson Aguiar completam o grupo dos representantes únicos.
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A nova configuração da Alece indica que a disputa de 2026 já começou — e passa, desde agora, pela organização de blocos dentro do Legislativo. Entre movimentos coordenados e ajustes pontuais, a Assembleia se transforma em uma das principais arenas do próximo ciclo eleitoral no Ceará.
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