O PALANQUE MUDOU
André abre comitê com Lupi, Cid, Camilo e Elmano — quatro anos depois, outra coalizão
Por Fernando Benevides - Em 18/08/2026 às 10:12 PM
André Figueiredo abriu seu comitê nesta terça-feira(18) ao lado de Carlos Lupi, Cid Gomes, Camilo Santana e Elmano de Freitas. Quatro anos antes, no mesmo tipo de evento, o registro do Portal IN mostrava Roberto Cláudio ao microfone pedindo votos para o deputado.

André Figueiredo e Camilo Santana na inauguração do comitê de campanha de André. Fotos: Divulgação
Carlos Lupi, Cid Gomes, o senador Camilo Santana e o governador Elmano de Freitas estiveram juntos nesta terça-feira (18) na inauguração do comitê de campanha de André Figueiredo (PDT), em Fortaleza.
O ato reuniu ainda candidatos a deputado federal e estadual, deputados estaduais, prefeitos e vereadores de diferentes regiões do Ceará, segundo a organização.
Ao abrir o espaço, André apresentou o comitê como ponto de encontro e mobilização durante a campanha. “É um espaço para ouvir, dialogar e construir, junto com o povo, o futuro que queremos para o nosso Ceará”, afirmou.
A fotografia política, porém, ganha outra dimensão quando comparada à última eleição.
Em 11 de agosto de 2022, na Avenida Santos Dumont, o Portal IN registrou a inauguração do comitê do mesmo deputado. Carlos Lupi estava lá. Ao lado dele, Roberto Cláudio, então candidato do PDT ao Governo do Ceará, subiu ao microfone e pediu votos para André.
Quatro anos e uma semana depois, Roberto Cláudio está no União Brasil e disputa a Vice-Governadoria na chapa de Ciro Gomes (PSDB), adversária de Elmano.
Em quatro anos, André permaneceu no PDT. Quase tudo ao redor dele mudou.

Roberto Cláudio, André Figueiredo, Camila Arrais e Carlos Lupi durante a inauguração do comitê de André, em 11 de agosto de 2022. Foto: Paula Amaral|Arquivo Portal IN
O mesmo André, outra coalizão
Na eleição de 2022, Ciro Gomes disputava a Presidência da República pelo PDT, Roberto Cláudio concorria ao Governo pela legenda e André integrava o mesmo projeto eleitoral.
Hoje, Ciro está no PSDB e Roberto Cláudio no União Brasil. Os dois formam a chapa de oposição dentro da coligação Unir Para Mudar, homologada em convenção em 26 de julho e lançada em 1º de agosto.
O PDT seguiu na direção contrária.
No Ceará, André conduziu o partido ao apoio à reeleição de Elmano. Nacionalmente, a legenda oficializou em julho apoio à reeleição do presidente Lula, sob a presidência de Carlos Lupi.
A medida dessa mudança apareceu também no microfone do comitê.
Ao discursar, Camilo Santana incluiu Lula na composição política apresentada aos apoiadores. Ao falar em “completar o nosso time”, citou “o maior presidente deste país, Luiz Inácio Lula da Silva”.
A frase foi pronunciada dentro do comitê de um deputado do PDT — partido que lançou Ciro Gomes contra Lula nas eleições presidenciais de 2018 e 2022.
André e Cid, três anos depois

Cid Gomes
A presença de Cid Gomes acrescenta outra camada ao encontro.
Em 2023, Cid e André estiveram no centro da crise que dividiu o PDT cearense. A disputa pelo comando estadual envolveu a direção nacional, chegou à Justiça e levou Cid a assumir temporariamente a presidência estadual durante as negociações para tentar pacificar a legenda.
O processo terminou com sua saída do PDT, acompanhado por parte importante das lideranças da sigla no Estado.
Agora no PSB e candidato ao Senado, Cid voltou a dividir palanque com André — desta vez não como correligionário, mas como aliado na coalizão de Elmano.
André, Lupi, Cid, Camilo e Elmano reunidos no mesmo comitê sintetizam alianças que há poucos anos pareceriam improváveis.
Quanto vale o PDT sem Ciro?

Carlos Lupi e Andre Figueiredo
A reorganização abre uma questão que só as urnas poderão responder.
Durante anos, a força eleitoral do PDT no Ceará esteve associada ao grupo Ferreira Gomes. Ciro disputou pelo partido as eleições presidenciais de 2018 e 2022, enquanto Cid e uma extensa rede de lideranças municipais integravam a estrutura da legenda no Estado.
Há um número que ajuda a dimensionar o tamanho da transformação.
Em 2022, o PDT elegeu cinco deputados federais pelo Ceará: Idilvan Alencar, Robério Monteiro, Mauro Filho, André Figueiredo e Eduardo Bismarck. André recebeu 111.886 votos, a quarta maior votação entre os cinco eleitos da legenda.
Aquela bancada foi eleita num momento em que Ciro disputava a Presidência pelo PDT e o grupo liderado por Cid ainda integrava a estrutura partidária no Ceará.
Quatro anos depois, o desenho é outro.
Após as mudanças partidárias que antecederam a eleição, André tornou-se o único deputado federal cearense remanescente no PDT.
Em maio, ao analisar o processo, ele afirmou que, depois das saídas de Cid e Ciro, o partido havia “voltado a ser o que era” antes de 2015.
Para 2026, o PDT montou uma nominata com 21 candidatos a deputado federal. André afirmou que o partido projeta conquistar ao menos uma cadeira na Câmara.
Em 2022, foram cinco eleitos. Em 2026, o PDT chega às urnas com uma configuração partidária profundamente diferente.
A urna de outubro mostrará o tamanho eleitoral dessa reconstrução.
A fotografia desta terça-feira já responde onde o PDT decidiu estar em 2026.
A eleição responderá a pergunta mais difícil:
quanto vale eleitoralmente esse PDT sem Ciro — e com Ciro como adversário?
Leia também: veja a cobertura do Portal IN da inauguração do comitê de André Figueiredo em 2022.
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