Agenda Global

Ao sediar COP15, Brasil combina diplomacia ambiental e ampliação de áreas protegidas

Por Julia Fernandes Fraga - Em 23/03/2026 às 11:45 AM

Pantanalcop15

País busca reforçar protagonismo internacional com foco em financiamento, cooperação e preservação da biodiversidade. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou as prioridades do Brasil para a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada nesta semana em Campo Grande (MS), marcando a primeira vez que o país sedia o encontro global da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS). 

Durante a sessão de alto nível que antecede a conferência, ocorrida no domingo (22), Lula também assinou decretos que criam e ampliam unidades de conservação em Minas Gerais e no Mato Grosso. Ao todo, mais de 145 mil hectares passam a ser protegidos, em áreas estratégicas do Cerrado e do Pantanal — dois dos principais biomas brasileiros.

Prioridades nacionais

No plano diplomático, o Brasil chega à COP15 com três eixos centrais:

> alinhamento com os princípios das convenções internacionais sobre clima, biodiversidade e desertificação;

> ampliação de financiamento para países em desenvolvimento, com criação de novos mecanismos multilaterais;

> fortalecimento da Declaração do Pantanal, visando ampliar o engajamento internacional na proteção de espécies migratórias. 

A defesa do multilateralismo foi um dos pontos centrais do discurso presidencial. Lula destacou que, diante de tensões geopolíticas e ações unilaterais, a cooperação internacional segue como caminho para enfrentar desafios ambientais globais.

Por que importa

A participação brasileira na COP15 ocorre em um momento estratégico. Após um período de desgaste na agenda ambiental, o país busca consolidar uma nova posição internacional, baseada na combinação entre preservação e desenvolvimento sustentável.

A ampliação das áreas protegidas reforça esse movimento e dialoga diretamente com compromissos assumidos pelo Brasil, como a meta de proteger 30% do território até 2030.

Sediar a conferência também projeta o país no centro das negociações globais sobre biodiversidade — uma vitrine relevante em meio à disputa por protagonismo nos debates climáticos e ambientais.

Peso internacional

A COP15 reúne representantes de 132 países e da União Europeia, além de organismos internacionais, cientistas e sociedade civil. De 23 a 29 de março, serão discutidas medidas para proteção de espécies migratórias, seus habitats e rotas ecológicas, além de novos acordos de cooperação internacional.

O Brasil assume ainda papel de liderança no próximo ciclo da convenção, ampliando sua influência nas decisões globais sobre biodiversidade nos próximos anos.

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