Conflito regional
Ataque devastador a escola no sul do Irã levanta suspeitas sobre operação militar perto do Estreito de Ormuz
Por Suzete Nocrato - Em 06/03/2026 às 12:21 PM

Escola primária na cidade de Minab, no sul do Irã, atacada no dia 28 de fevereiro. Foto: ALI NAJAFI/ISNA/AFP
Um ataque ocorrido em 28 de fevereiro que atingiu uma escola primária na cidade de Minab, no sul do Irã, tornou-se o episódio mais mortal conhecido em número de vítimas civis desde o início dos ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o país. Até o momento, nenhum dos lados assumiu formalmente a responsabilidade pela ação.
Uma análise conduzida pelo The New York Times, baseada em imagens de satélite recém-divulgadas, publicações em redes sociais e vídeos verificados, indica que o prédio da escola sofreu danos severos durante um ataque que ocorreu simultaneamente a um bombardeio direcionado a uma base naval da Guarda Revolucionária Islâmica localizada nas proximidades.
A coincidência entre os dois eventos ganha relevância estratégica porque autoridades americanas já haviam confirmado operações militares na região próxima ao Estreito de Ormuz, área considerada um dos pontos mais sensíveis para o tráfego global de petróleo e para a segurança energética internacional. As declarações oficiais sugerem que forças dos Estados Unidos provavelmente estavam conduzindo ataques contra alvos navais naquele momento.
EUA promete investigar
Questionada pelo jornal sobre um possível envolvimento no bombardeio à escola, a Casa Branca encaminhou a resposta da secretária de imprensa Karoline Leavitt, feita durante coletiva realizada na quarta-feira. Ao ser perguntada se os Estados Unidos haviam conduzido o ataque aéreo ao colégio, ela afirmou: “Não que saibamos”, acrescentando que “o Departamento de Guerra está investigando o assunto”.
A reconstrução precisa do que ocorreu naquele dia tem sido dificultada por diferentes fatores, incluindo a ausência de fragmentos de armamentos identificáveis no local e as restrições que impedem jornalistas estrangeiros de acessar diretamente a área atingida.
Mesmo com essas limitações, autoridades de saúde iranianas e a mídia estatal do Irã afirmaram que o ataque matou pelo menos 175 pessoas, muitas delas crianças, na escola primária Shajarah Tayyebeh, número que ainda não foi confirmado por fontes independentes.
Nos dias que se seguiram ao bombardeio, autoridades dos Estados Unidos mantiveram uma posição cautelosa, sem confirmar nem negar responsabilidade direta pelo episódio. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, declarou na quarta-feira que uma investigação está em andamento.
Do lado israelense, a posição oficial também aponta para ausência de envolvimento. O porta-voz militar Nadav Shoshani afirmou a jornalistas no domingo que, “até o momento”, não tinha conhecimento de qualquer operação militar de Israel “naquela área” no momento do ataque.
Apesar das incertezas, autoridades americanas reconheceram publicamente que aviões militares dos Estados Unidos estavam realizando operações na região no dia em que a escola foi atingida, o que mantém o episódio no centro das tensões geopolíticas que se intensificam no Oriente Médio.
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